Maçonaria

Maçonaria

Porque entendo que a publicação efetuada no Jornal de Notícias em  2011.11.13 sobre o assunto em epígrafe, deverá ser o mais possível divulgada e preservada, resolvi editar este artigo transcrevendo ipsis verbis a referida publicação do JN:

“Uma exigência necessária sob a forma de uma oportunidade

 «”O sistema de justiça português é constituído por lojas maçónicas e controlado pela maçonaria. Além de controlar as decisões dos processos – incluindo os casos da Universidade Moderna, Portucale, Casa Pia, Apito Dourado e Isaltino Morais -, controla igualmente a carreira dos juízes e dos magistrados do Ministério Público e dos altos funcionários do Estado”, diz José da Costa Pimenta, em carta para a actual ministra e os principais protagonistas do sector.

As acusações vão surgir em livro. Eis os vários processos:

CTT: (Citações do Ministério Público) Em escutas telefónicas, um indivíduo faz alusões à sua condição de maçom para obter informações do caso da venda de prédios

Moderna: (Citações do Ministério Público) Uma conspiração maçónica, com a Moderna como ponto de reunião, para tomar conta das estruturas do poder em Portugal, é revelada num documento de Nandim de Carvalho.

Portucale: (Citações de Abel Pinheiro) Nos governos de Guterres, o GOL era conhecido por o “gabinete”, dado o número de socialistas por metro quadrado. (…) É uma rede de relações humanas única.»

In Diário de Notícias, 13-11-2011

O problema

O Diário de Notícia levou a cabo, de 12 a 14 de Novembro, uma interessante investigação sobre as teias de influência das lojas maçónicas em Portugal. Das maiores empresas, passando pelos partidos políticos, com particular incidência no PS (conhecido como o braço político da maçonaria irregular portuguesa, nomeadamente do “famigerado” GOL – Grande Oriente Português), pelos tribunais, pelas forças se segurança e forças armadas, pelos serviços secretos e acabando, naturalmente, nos principais cargos dirigentes do aparelho de Estado, uma grande parte dos principais responsáveis são membros da maçonaria. Isto implica a suspeita de que uma parte importante dos cargos de poder do país são decididos e atribuídos em reuniões secretas de grupos secretos e não são o resultado de processos de decisão abertos, transparentes e assentes exclusivamente no valor pessoal e não na pertença a determinadas redes grupais de influência. A maçonaria é, pois, uma inversão e uma perversão daquilo que é, idealmente, uma sociedade de mérito.

O estafado argumento maçónico

Num artigo sobre o assunto de 14-11-2011, Ferreira Fernandes levanta a questão fulcral: Por que razão a maçonaria, as suas práticas e os seus membros são secretos? Escreve o jornalista: “O culto do segredo, por tão anacrónico, hoje, entende-se mal. A explicação mais imediata é que os maçons ganham por o ser, e fazem-no em segredo para ganharem ainda mais. Mas, ontem, António Reis, que liderou o Grande Oriente Lusitano, disse ao DN que não: serem maçons “pode-lhes causar dificuldades nas suas carreiras profissionais”. Engraçado, tinha ideia do contrário: os maçons que exercem a minha profissão são mais do género de terem estátua sem eu saber porquê do que não a terem embora a merecessem.”

Pois…este é que é o cerne do problema: os maçons pretendem continuar a sê-lo em segredo porque isso os beneficia nos negócios e nas nomeações, porque saber quem são explicaria como é que alguns nomes de honestidade duvidosa e méritos incomprovados conseguem certos lugares…bastaria saber “quem nomeou os nomeados” para se perceber qual a ligação entre uns e outros. Assim, permanecendo em segredo, os membros da organização podem continuar a encher os cargos directivos sem que se estabeleça a ligação que explica certas ascensões profissionais, ou sem que se perceba por que razão o Estado subsidia, com o dinheiro de todos, certas instituições ou faz certos negócios com determinados particulares.

Uma exigência necessária sob a forma de uma oportunidade política

Ninguém pretende impedir os maçons de o serem, e de procurarem nas lojas o tal “aperfeiçoamento espiritual” que, pelo visto, não conseguem alcançar por outros meios ou vias. O que se pretende é que nas lojas não se prepare o “aperfeiçoamento profissional e salarial” dos maçons à custa dos portugueses sem loja e do bom funcionamento do Estado.

Repare-se que mesmo nas organizações que têm por objectivo a tomada do poder político (algo que a maçonaria nega ter por finalidade), isto é, os partidos, a lei exige, apesar do direito de reserva da lista de filiados, princípios de transparência. Da lei dos partidos políticos:

Artigo 6.º

Princípio da transparência

1- Os partidos políticos prosseguem publicamente os seus fins.

2- A divulgação pública das actividades dos partidos políticos abrange

obrigatoriamente:

a) Os estatutos;

b) A identidade dos titulares dos órgãos;

c) As declarações de princípios e os programas;

d) As actividades gerais a nível nacional e internacional.

3- Cada partido político comunica ao Tribunal Constitucional, para efeito de anotação, a identidade dos titulares dos seus órgãos nacionais após a respectiva eleição, assim como os estatutos, as declarações de princípios e o programa, uma vez aprovados ou após cada modificação.

4- A proveniência e a utilização dos fundos dos partidos são publicitadas nos termos estabelecidos na lei do financiamento dos partidos políticos e das campanhas eleitorais.

Assim, a bem da transparência e da verdade cívica, uma exigência e uma exigência apenas se deve colocar à maçonaria: conhecer os nomes dos seus membros – no mínimo dos que servem o Estado – e as suas – da maçonaria – actividades gerais. O que não conspira não teme, o que é honroso não precisa de se esconder, as práticas viciosas e as ideias inconfessáveis é que precisam de secretismo para se defenderem e propagarem. “Discreta” é a máfia. Em prol de uma comunidade aberta e não de uma chusma sombria.

Isto pode ser feito através de uma petição popular que reúna as assinaturas necessárias para levar esta exigência ao Parlamento. Nem que seja para ver quem são os “irmãos” que lá estarão para rejeitar a proposta de forma a protegerem os seus interesses privados.

Não percebo o que espera o movimento nacionalista, por que não através do próprio PNR, para iniciar esta luta.

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Junho 16, 2011

A relação promíscua entre a maçonaria e os serviços secretos do Estado

Altos responsáveis dos serviços de informações juram fidelidade e ajuda a “irmãos” que são políticos, assessores do Governo, empresários e jornalistas. A SÁBADO filmou a entrada para uma Grande Loja Maçónica e penetrou no jogo de espelhos das lojas mais secretas e na teia de influências que exercem na sociedade civil portuguesa.

No centro do templo, coberto de panos negros e sob a luz de um candelabro, está um caixão. Lá dentro, um lenço branco manchado de vermelho tapa o rosto de um homem. A cabeça está virada para Ocidente e emoldurada por um esquadro aberto e por um ramo de acácia. A porta do templo abre-se e o mestre-de-cerimónias faz ajoelhar o maçom que entrou de costas na sala. Tudo está preparado para o fazer subir mais um degrau na ordem secreta. O mestre experto aproxima-se e cruza a espada com o bastão do mestre-de-cerimónias acima da cabeça do candidato, formando um esquadro. Ouvem-se, em sequência, as pancadas de três malhetes. “De pé e à Ordem, meus irmãos”, diz o venerável da loja. De uma mesa próxima, em forma de triângulo, exige-se o juramento que o maçom faz de imediato: “Eu, Jorge Jacob Silva Carvalho, de minha livre vontade, na presença do Grande Arquitecto do Universo e desta Respeitável Assembleia de Mestres Maçons, juro e prometo solene e sinceramente nunca revelar a qualquer profano, ou mesmo a qualquer Aprendiz ou Companheiro, os segredos do Grau de Mestre.”

Há muito que o actual director do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED), a secreta que actua fora de Portugal, disse estas palavras num templo da Grande Loja Legal de Portugal (GLLP). E reiterou, como se faz sempre nos 33 graus maçónicos, os pactos secretos de silêncio e auxílio: “Renovo a promessa de amar os meus irmãos, de os socorrer e ir em seu auxílio. Se alguma vez me tornar perjuro que, segundo o castigo tradicional, o meu corpo seja cortado em dois e que eu seja desonrado para sempre e que não fique de mim memória junto dos maçons.”

Após o compromisso, o venerável mestre colocou-lhe a espada sobre a cabeça e informou-o em voz alta que a partir de então passava a ter poderes para “comandar” os companheiros e os aprendizes, os dois degraus inferiores da maçonaria. Seguiram-se mais golpes de malhete cruzados com a sequência de palavras de um rito escocês com séculos que lhe passou a contar novos segredos: os cinco pontos perfeitos da mestria, um toque, duas palavras e quatro sinais. O Sinal de Socorro foi um deles. “Se alguma vez te encontrares em grave perigo, chama os irmãos em teu socorro, com o seguinte sinal: atira o pé direito para trás, com o busto inclinado, ergue ambas as mãos acima da cabeça, tendo os dedos entrelaçados, as palmas viradas para cima, e exclama: A. M. O. F. D. V!” Hoje, aos 42 anos, Jorge Silva Carvalho, espião requisitado ao Serviço de Informações e Segurança (SIS) e ex-chefe de gabinete de Júlio Pereira, secretário-geral do Sistema das Informações da República Portuguesa (SIRP), já está a meio dos altos graus da maçonaria (que vão do 4.º ao 33.º) e é apenas um dos responsáveis de topo dos serviços secretos portugueses que fazem parte da GLLP e do Grande Oriente Lusitano (GOL), as duas principais correntes maçónicas portuguesas.

Rituais maçónicos à parte, um agente secreto vive da discrição, de códigos e de simulação. O Estado faculta-lhe identificações fictícias, forma-o para se infiltrar em organizações criminais e praticar contra-informação, investiga-lhe a vida profissional e pessoal, exige-lhe declaração de rendimentos e património como a um político e pode dispensá-lo alegando meras “razões de segurança”. Mas fora das paredes do SIS e do SIED há espiões que fornecem fotografias de rosto e se identificam antes de assinarem testamentos espirituais (ver caixa).

São vendados e iniciados numa ordem que lhes permite usar sinais, passaporte maçónico e cartão de solidariedade no estrangeiro e em Portugal. Em segredo, usam à cintura aventais decorativos e juram fidelidade e auxílio a uma irmandade composta por políticos, assessores de ministros, empresários, polícias, juízes e jornalistas.

Jorge Silva Carvalho é apenas um deles. Integrou a Loja Mercúrio – que iniciou o presidente da Câmara de Oeiras, Isaltino Morais –, mas acabou por transitar para a Mozart n.º 49, porventura hoje a mais poderosa loja da GLLP e que, segundo documentos internos consultados pela SÁBADO, terá entrado em funcionamento em Setembro de 2006 pela mão de Paulo Noguês, vice-presidente do Instituto Luso-Árabe para a Cooperação e secretário-geral da Associação de Amizade Portugal/EUA, e pela de António Neto da Silva, empresário, ex-deputado do PSD e presidente daquela associação. Organizações que, juntamente com o Instituto Transatlântico Democrático, dirigido por Rui Paulo Figueiredo (venerável da Loja Mercúrio), têm uma forte presença de maçons entre os dirigentes.

No ano passado, Silva Carvalho desempenhou na Mozart o cargo de venerável, uma espécie de director em funções. É uma loja tão discreta que nem sequer se faz representar em sessões colectivas como o Conselho de Veneráveis e a Assembleia Geral da Grande Loja – que decorreu na sede da GLLP, a 27 de Setembro deste ano, e que foi acompanhada pela SÁBADO (ver caixa e filme). É em salas de hotéis como o Marriott, Vip Zurique ou Penta, ou no 1.º andar de um discreto edifício, na Rua Pereira da Rosa, no Bairro Alto, alugado pelos altos graus da GLLP – designados Supremo Conselho para Portugal –, que se juntam outros “irmãos” membros dos serviços de informações.

Um deles será F. R., um tenente-coronel da GNR que já integrou o SIS e que, em 2007, quando Silva Carvalho era chefe de gabinete do SIRP, foi nomeado por Júlio Pereira director do Departamento de Segurança, um dos novos quatro departamentos comuns do SIS e do SIED. Outro é o operacional J. A., técnico superior de informações do SIS.

Os três não responderam aos contactos da SÁBADO. O mesmo aconteceu com outros operacionais dos serviços de informações que a SÁBADO detectou a partir do cruzamento de largas dezenas de nomes de maçons mencionados nos documentos internos da GLLP. No SIS, o director de área T. C. tem vários anos de maçonaria e foi inclusivamente eleito venerável da Loja Jerusalém no equinócio de Outono de 2006, cumprindo o mandato até Junho de 2007. Por outro lado, o ex-pára-quedista J. F., funcionário do SIS há mais de 10 anos e actual director de área, é uma conquista relativamente recente da maçonaria. Foi iniciado na Loja Fernando Pessoa da GLLP, para onde entrou juntamente com outros dois aprendizes iniciados entre Outubro de 2005 e Janeiro de 2006, como revela um documento de novas entradas da GLLP. Outro irmão da Loja Mercúrio é R. N. P., um operacional do SIED e membro do Instituto Luso-Árabe.

“A maçonaria é equilíbrio e, por isso, tudo permanece bem desde que não haja uma avalancha de gente dos serviços de informações”, diz à SÁBADO um dos mais influentes maçons da GLLP, solicitando o anonimato. A mesma fonte garante que o número de espiões maçons não deve ultrapassar uma dúzia. “Nas democracias mais maduras, como nos EUA, Inglaterra ou França, é também normal encontrar gente dos serviços de informações nas respectivas maçonarias”, conclui.

O autor espanhol Manuel Guerra, no livro Trama Maçónica, editado este ano em Portugal (Principia), destaca a alegada colaboração maçónica verificada nos anos 90 e durante os governos do PSOE de Filipe González, precisamente quando “foi necessário por mais de uma vez renunciar à alta política diplomática e lançar mão das ligações pessoais de maçons espanhóis com alguns maçons franceses influentes para obter um maior apoio da França na luta antiterrorista contra a ETA. Nessa altura, o chefe dos serviços secretos franceses era Pierre Marion, um destacado maçom francês, membro da Grande Loja Nacional Francesa”.

A relação próxima entre a maçonaria e alguns membros dos serviços secretos está a provocar polémica entre os espiões. Um alto quadro dos serviços secretos garante-o: “Há muita gente preocupada com esta situação. Claro que podem existir quebras de segurança, mas o problema maior é se acontece um escândalo qualquer, como o da Universidade Moderna, que começou numa guerra na Casa do Sino, e o SIS e o SIED acabam arrastados por causa de gente nossa que esteja nas lojas maçónicas.”

A SÁBADO dirigiu por escrito um conjunto de questões sobre maçonaria, segurança e recrutamento de espiões aos directores do SIED, Jorge Silva Carvalho, e do SIS, Antero Luís, mas apenas recebeu uma curta resposta do gabinete do juiz desembargador Antero Luís: “Encarrega-me o Senhor Director-Geral de o informar que quaisquer comentários sobre o tema Maçonaria são da competência do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP).” As perguntas seguiram para Júlio Pereira, secretário-geral do SIRP. Ficaram sem resposta até ao fecho desta edição.

Nos últimos anos, a ligação a organizações como a maçonaria ou o Opus Dei tem sido discutida de forma particularmente intensa. Em Inglaterra, o governo de Tony Blair impulsionou um movimento que exigia que os maçons se identificassem quando estivessem a exercer profissões relacionadas com cargos ou serviço público. No sector da justiça, mais de 1400 juízes decidiram voluntariamente divulgar que eram maçons. Em Portugal, no mês passado, a Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP), que representa cerca de 1900 magistrados, deu um passo que promete fazer história: “O juiz não integra organizações que exijam aos aderentes a prestação de promessas de fidelidade ou que, pelo seu secretismo, não assegurem a plena transparência sobre a participação dos associados.” O princípio, que não refere especificamente a maçonaria nem diz como será implementado, consta do Compromisso Ético aprovado no 8.º Congresso dos Juízes Portugueses.

“Não adianta nada pedir o registo de interesses para associações secretas. Pretendemos ir mais longe e não permitir a pertença”, diz à SÁBADO o presidente da ASJP, António Martins. “Tivemos a noção de que estávamos a ser exigentes com os juízes. Se isto é uma porta aberta para outras classes profissionais? Serão elas a avaliar a exigência que têm de fazer aos seus membros.”

António Reis, Grão-Mestre do GOL, é peremptório: “Legalmente, ninguém pode ser obrigado a declarar a sua pertença a uma associação de direito privado”. E sublinha que a discussão é até desprovida de sentido em face dos direitos constitucionais sobre a livre associação. “Eu não posso garantir que não haja maçons que ocupem cargos no Estado, incluindo os dos serviços de informações. O que garanto é que não existe nenhuma estratégia da maçonaria para controlar esses ou outros cargos”.

O poder de influência da maçonaria não aparece nas juras de segredo e nos livros dos ritos praticados nas lojas, mas é um tema omnipresente na história da GLLP e do GOL. E muitos maçons têm de o assumir quando menos esperam. Foi o que aconteceu com o maçom Abel Pinheiro, que esteve sob escuta judicial no âmbito do processo Portucale e que foi acusado pelo Ministério Público por tráfico de influências.

A 6 de Março de 2005, seis dias antes da tomada de posse do novo governo socialista, Abel Pinheiro ligou ao irmão social-democrata Rui Gomes da Silva, ex-ministro dos Assuntos Parlamentares do governo de Santana Lopes. Na conversa gravada, os dois concordavam que José Sócrates (que tomaria posse a 20 de Março) estava a prejudicar a irmandade do GOL, não nomeando nenhum maçom para lugares de decisão política. O diagnóstico incluía outro ponto: a afronta iria deixar vulnerável o futuro governo. Nessa conversa, Abel Pinheiro chegou a dizer que a maçonaria era o verdadeiro poder no País, anunciando de seguida que acabara de ser iniciado o socialista José Magalhães (actual secretário de Estado da Administração Interna). E referiu-se à sua loja, a Convergência, como “O Gabinete”, nome pelo qual era conhecida durante os governos de António Guterres.

Ali tinham assento “irmãos” como o presidente do Tribunal Constitucional, Luís Nunes de Almeida, António Vitorino, Vitalino Canas, José Nuno Martins ou Henrique Monteiro, actual director do Expresso.

Abel Pinheiro caiu em desgraça no GOL por falar de mais, mas Rui Gomes da Silva continua bem rodeado de irmãos na sua própria loja, a poderosa Universalis. Foi esta a loja do GOL, com cerca de 60 irmãos, que conquistou há cerca de um ano o espião Heitor Romana, um histórico do SIS que fundou informalmente os serviços de informações portugueses em Macau e que chegou a director-adjunto do SIEDM, a secreta externa que o actual SIED substituiu. No ano passado, foi nomeado por Júlio Pereira e tomou posse como director de Recursos Humanos dos dois serviços de espionagem portugueses. Heitor Romana encontrou na Universalis um outro homem das informações, José de Almeida Ribeiro, o adjunto que José Sócrates requisitou ao SIS para o seu gabinete – e que também não respondeu ao contacto por email feito pela SÁBADO.

Na Universalis juntam-se espiões irmanados com políticos, como os sociais-democratas Rui Gomes da Silva e Miguel Relvas, como o director da ASAE, António Nunes, como o gestor e vice-presidente dos CTT, Pedro Santos Coelho, como o socialista ex-secretário de Estado da Saúde José Miguel Boquinhas, como jornalistas como Emídio Rangel e António Borga ou como universitários como José Adelino Maltez e António Costa Pinto.

É no GOL que também estão outros, ainda que discretos, operacionais dos serviços de informações portugueses. C. G. é técnico superior e um histórico do SIS. Está há largos anos no GOL e é visto como muito próximo do anterior candidato a grão-mestre, Filipe Frade, o representante do rito francês na maçonaria irregular. Outro espião é N. C., ex-director regional do SIS Madeira, que transitou para o actual SIED em 2004 e que ali chegou a gerir o todo-poderoso departamento das fontes secretas. Em 2008, já na direcção de Jorge Silva Carvalho, foi colocado como antena na embaixada portuguesa em Madrid.

(António José Vilela e João Pimentel,Revista Sábado)

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Novembro 28, 2010

Para que serve a maçonaria?

Sobre as lojas maçónicas nas sociedades ocidentais actuais existem duas grandes abordagens: uma, que é antagónica à maçonaria, que mantém que as lojas são lóbis para tráfico de influências e ganhos materiais, outra, que provém de quem faz parte da maçonaria, que defende que as lojas são locais de transmissão de conhecimentos metafísicos, tradições antigas, reunindo homens que buscam ali o aperfeiçoamento espiritual e a reflexão sobre a sociedade.

Uns e outros não negam a presença massiva de maçons nos principais órgãos que dependem directa ou indirectamente do aparelho de Estado, ou nas nomeações para importantes cargos empresariais, quer do sector público quer privado. Discordam, apenas, nas razões que os colocam lá…

Consequência natural dessa busca de aperfeiçoamento metafísico que lhes moldaria o carácter e da exigência na selecção dos membros dizem uns… consequência natural do nepotismo e do tráfico de cunhas organizado nas reuniões das lojas maçónicas, contestam os outros.

A verdade é nítida: basta olhar para alguns dos conhecidos membros da maçonaria que exercem cargos de influência em Portugal para se perceber que há macacos mais aptos à reflexão metafísica e presidiários mais íntegros….sobra, portanto, a busca de ganhos e oportunidades materiais…e é claro que para que esse tráfico de poder possa ser exercido da melhor maneira ajuda e muito que a organização seja secreta…ou discreta, como os beneficiários da coisa gostam de a definir.

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Novembro 7, 2010

O Estado português controlado e destruído pelas lojas maçónicas

Mentirosos formados nas lojas maçónicas

Henrique Neto, histórico do PS, diz que Sócrates «é um vendedor de automóveis» que «está no topo da pirâmide dos que dão cabo disto».

Em entrevista ao «Jornal de Negócios», Henrique Neto recorda que da primeira vez que viu Sócrates discursar pensou: «Este gajo não percebe nada disto». «Mas ele falava com aquela propriedade com que ainda hoje fala sobre aquilo que não sabe», adianta e recorda-se de pensar a seguir: «Este gajo é um aldrabão. É um vendedor de automóveis».

«Sempre achei que o PS entregue a um tipo como Sócrates só podia dar asneira», adiantou. O histórico socialista diz que o primeiro-ministro «tem três qualidades, ou defeitos: autoridade, poder, ignorância. E fala mentira».

Henrique Neto descreve a forma como decorreu a última comissão política do PS, no dia em Sócrates apresentou as medidas de austeridade. Conta que o secretário-geral do PS convocou a reunião de última hora, «para ninguém ir preparado», e organizou os trabalhos para que «o grupo dos seus fiéis fizesse intervenções umas a seguir às outras». «A ideia dele era que o partido apoiasse as medidas», afirma.

«Aquilo é uma máfia que ganhou experiência na maçonaria», acusa. «Sócrates entrou por essa via, e os outros todos. Até o Procurador-geral da República», garante. «Usa técnicas de maçonaria para controlar a verdade».

«Não tenho nada contra José Sócrates. Se ele se limitasse a ser um vendedor de automóveis. Mas ele é primeiro-ministro e está a dar cabo do meu país. Não é o único, mas é o mais importante de todos», considera Henrique Neto.

Agosto 8, 2010

A maçonaria, os partidos, a filosofia na alcova e a continuada prostituição do Estado português

Mais um exemplo da apregoada ética maçónica, republicana e socialista e do tráfico de influências sobre as instituições do Estado português, no caso os serviços secretos. Edificante, sem dúvida. Reportagem da Revista Sábado, de 22-07-2010:

«Até 11 de Maio do ano passado,C. P. (que a SÁBADO identifica apenas pelas iniciais por razões de segurança) era apenas mais uma assessora de nível III, escalão I (o mais baixo da função pública), do grupo parlamentar do Partido Socialista. A militante do PS, que integrou a lista de António Costa às eleições autárquicas de 2007, exerce agora funções bem diferentes do trabalho de secretariado técnico-partidário. Entrou no mundo da espionagem portuguesa e foi colocada como técnica superior no departamento das Operações do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED).A SÁBADO tentou contactar por telefone e email quer a nova espia quer o director do SIED, Jorge Silva Carvalho, mas não obteve resposta até ao fecho desta edição.

Fontes dos serviços secretos portugueses adiantaram à SÁBADO que a entrada de C. P. é vista internamente como “uma das muitas cunhas que nos últimos dois anos levaram à entrada de dezenas de elementos no SIED, a secreta que actua no exterior, mas também no Serviço de Informações e Segurança (SIS) e no próprio órgão coordenador do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP). ” As cunhas vêm de todo o lado, inclusive de gente ligada à maçonaria e a partidos políticos”, revela a mesma fonte.

A ligação de C.P. ao PS não poderia ser mais evidente. Licenciada em História pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, onde chegou a colaborar como conferencista em 2003, quando concluiu a tese de mestrado em História das Civilizações Pré-Clássicas sobre o tema “A mulher e o amor no Egipto Antigo”, C. P. fez carreira no grupo parlamentar do PS antes e depois de se casar com o ex-líder da bancada socialista, António Reis, que foi deputado do PS entre 1995 e 2002.

Foi precisamente devido à influência do então marido, que ainda hoje é grão-mestre do Grande Oriente Lusitano (GOL), a mais importante corrente maçónica portuguesa, que C. P. foi também iniciada como aprendiz. A entrada na maçonaria aconteceu há pouco mais de dois anos na Grande Loja Feminina de Portugal, a irmandade que diz congregar cerca de 300 irmãs e que foi criada na esfera de influência do GOL para integrar as mulheres que não podem pertencer às lojas do Grande Oriente.

EM 2008, C. P. integrou a lista A do também maçon do GOL que ganhou a concelhia do PS de Lisboa, o deputado socialista Miguel Coelho. O lema da candidatura foi “Por urn partido de militantes” e C. P. ficou ao lado de socialistas como Marcos Perestrello, actual secretário de Estado da Defesa, Vasco Franco, hoje secretário de Estado da Protecção Civil, e a deputada Maria de Belém Roseira. Hoje, C.P. é uma das operacionais mais próximas do também maçon regular Jorge Silva Carvalho – Que dirige há dois anos o SIED, cujo passado tem sido fértil em alegadas purgas de operacionais e demissões de direcções.

Um clima que, segundo as fontes da SÁBADO retornou em força à secreta, com as sucessivas entradas de novos espiões e novas nomeações para cargos de chefia. Um outro exemplo é a recente subida do ex-chefe do departamento África, João Bicho, a novo director adjunto do serviço. Foi uma escolha pessoal de Jorge Silva Carvalho para substituir Helena Furtado de Paiva, que já regressou ao Ministério dos Negócios Estrangeiros. “Houve urna renovação gigantesca dos quadros e subidas vertiginosas de quadros sem a mínima experiência”, refere uma fonte, que denuncia “o clima de alta tensão” que já envolverá conversas de corredores sobre “a necessidade de criar sindicatos nos serviços”.»

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Fevereiro 13, 2010

Portugal é uma festa de avental

Trabalho de investigação de António José Vilela e Fernando Esteves, publicado na Revista Sábado

As ligações poderosas da organização que não quer aparecer – A maçonaria por dentro

São militantes do PS, do PSD e do CDS; são ministros, diplomatas e elementos dos serviços secretos.

A SÁBADO teve acesso a informações e documentos internos que mostram onde estão os maçons em Portugal, o que controlam e quais os rituais que são obrigados a seguir.

Manual para perceber como vive a organização mais misteriosa da sociedade e quais as suas ligações ao poder.

De venda negra a cobrir os olhos, com a perna esquerda das calças arregaçada e uma parte do peito completamente à mostra, aquele que ainda hoje é um dos homens mais influentes de Portugal conseguia apenas distinguir sons, vozes e instruções dadas pelo venerável mestre da loja maçónica a que estava prestes a aderir como maçon aprendiz. Na derradeira prova antes de poder ser um membro de pleno direito do Grande Oriente Lusitano (GOL), fizeram-no dar três voltas completas, de olhos vendados, ao templo maçónico – todas elas com um significado simbólico (ver infografia). Sempre acompanhado pelo mestre de cerimónias, o homem que se certifica de que o ritual é escrupulosamente cumprido, superou o teste. Pelo caminho, teve de ouvir barulhos de espadas a bater no chão e mulheres a bater nas madeiras e teve de sentir o calor do fogo e a temperatura fria da água. Já com os percursos feitos sempre da esquerda para a direita da loja; que é como quem diz das trevas para a luz -, mas ainda de olhos vendados, foi conduzido ao altar. Estava na altura de finalmente ser iluminado pela figura do venerável. Ao cair da venda, veria a luz.

Viu mais do que isso: um conjunto de homens com aventais de cores e disposições variadas, alinhados como numa parada militar. À sua frente, o líder da loja levantou uma espada que atravessava o testamento maçónico que escrevera antes de entrar na loja, numa câmara escura e sombria, com caveiras humanas desenhadas nas paredes. Nesse pedaço de papel registara as suas últimas reflexões profanas, que começavam agora a ser despedaçadas pelas chamas. Jorge Coelho – um dos mais influentes militantes da história do Partido Socialista estava a entrar num mundo desconhecido da maior parte dos portugueses: – o universo secreto da maçonaria.

Antes dele- que chegou ao GOL há pelo menos seis anos, durante o grãomestrado de Eugénio de Oliveira (1996 / 02) -, muitas outras figuras influentes da sociedade portuguesa passaram pelo ritual iniciático. Entre elas, Almeida Santos (ex-presidente da Assembleia da República), António Vitorino (antigo ministro socialista da Defesa e excomissário europeu), João Soares (ex-presidente da Câmara Municipal de Lisboa), João Cravinho (ex-ministro das Obras Públicas e actual administrador do Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento), Ricardo Sá Fernandes (advogado e ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais), Maldonado Gonelha (administrador da Caixa Geral de Depósitos e exministro da Saúde), Isaltino Morais (presidente da Câmara Municipal de Oeiras) e António de Sousa Lara (ex-subsecretário de Estado da Cultura de um governo de Cavaco Silva e professor, que acabou envolvido no escândalo da Universidade Moderna). Esta é uma curta lista entre milhares de nomes, divididos por várias obediências – as mais representativas são o Grande Oriente Lusitano (GOL), liderado pelo ex-deputado socialista António Reis, e a Grande Loja Regular de Portugal (GLRP), dirigida pelo escritor Mário Martin Guia – que se movem em todos os sectores de actividade. É a acção conjunta destes homens, que se reúnem entre as paredes discretas dos templos maçónicos, repletos de símbolos e artefactos, que forma o designado “lóbi maçónico”.

O último episódio demonstrativo da proximidade entre a maçonaria e o poder surgiu na mais recente remodelação governamental. António Costa saiu para ser candidato à Câmara Municipal de Lisboa e, para seu sucessor na pasta da Administração Interna, foi designado Rui Pereira, que hoje é visto como um dos nomes mais fortes do GOL. Fez parte da Loja Convergência, liderada por Luís Nunes de Almeida, o ex-presidente do Tribunal Constitucional (TC) falecido em 2004 e em cujo funeral maçons de várias lojas e obediências fizeram – sem o conhecimento do prior Horácio Correia, responsável pela Basílica da Estrela – uma cadeia de união (ritual maçónico em que todos dão as mãos e proferem as últimas palavras de homenagem ao morto). O acto decorreu discretamente na casa mortuária, longe dos olhos de elementos não maçons, os “profanos”.

Frequentador assíduo destas e de outras reuniões maçónicas, Rui Pereira dividiu ultimamente tarefas entre a visível coordenação da Unidade de Missão para a Reforma Penal e a presidência-sombra do Supremo Tribunal Maçónico, que acabou por abandonar, segundo fontes do GOL, quando foi há poucos meses escolhido pelo PS para integrar o Tribunal Constitucional. Hoje faz parte da Loja Luís Nunes de Almeida – criada em homenagem ao jurista falecido após a cisão registada na Loja Convergência, que continuou a ter, entre outros membros, Luís Fontoura, social-democrata e ex-secretário de Estado da Cooperação dos governos de Balsemão, e Abel Pinheiro, administrador da Grão-Pará e o ex-homem-forte das finanças do CDS, arguido no processo judicial Portucale. Contactado pela SÁBADO, Abel Pinheiro assume uma ligação de mais de 20 anos à maçonaria, considerando que esta “não tem qualquer espécie de poder”.

Se não tem poder oficialmente, pelo menos está “representado” em vários órgãos de poder. Rui Pereira, o actual ministro da Administração Interna, já foi director, entre 1997 e 2000, do Serviço de Informações de Segurança (SIS) e mantém desde então relações próximas com o mundo da espionagem portuguesa. Rui Pereira – que não quis falar com a SÁBADO sobre a sua ligação à maçonaria – é também olhado como uma ponte entre o GOL e a GLRP [Grande Loja Regular de Portugal], através do seu grande amigo José Manuel Anes. Além de ser hoje grão-mestre honorário da GLRP, Anes é director da revista maçónica Aprendiz e da publicação Segurança e Defesa, lançada em Outubro de 2006 pela editora Diário de Bordo, e onde escrevem vários elementos ligados aos serviços secretos.

Os membros da maçonaria têm marcado presença na definição das opções do País, em especial junto de governos socialistas. Há áreas em que os maçons actuaram desde sempre, como a administração interna e os serviços de informações, e outras em que a sua influência é grande. Os governos de António Guterres são um exemplo claro. Jorge Coelho, enquanto ministro da Administração Interna, teve como secretário de Estado Armando Vara – outro maçom, que hoje é administrador da Caixa Geral de Depósitos, nomeado pelo Governo. No exercício das suas competências, Coelho nomeou em 1997, para dirigir o SIS, Rui Pereira, que acabou por sair três anos depois para ocupar o cargo de secretário de Estado da Administração Interna. Jorge Coelho – que não quis falar à SÁBADO de maçonaria (“Nunca falei disso com ninguém, mas vou ter muito gosto em ler o artigo”) – já então tinha trocado a pasta da Administração Interna pela do Equipamento Social e Rui Pereira ficou sob a alçada de Alberto Costa, hoje ministro da Justiça e que desmentiu à SÁBADO qualquer ligação à maçonaria. Nesse mesmo governo, em 2000, Fausto Correia, outro histórico do Grande Oriente Lusitano, ocupou o cargo de secretário de Estado adjunto do ministro de Estado, o seu amigo e “irmão” Jorge Coelho. Noutra área, a dos Assuntos Fiscais, estava o advogado de Carlos Cruz no processo Casa Pia, Ricardo Sá Fernandes, também ele membro do GOL. Mas a presença dos maçons no executivo de António Guterres não pára aqui.

Na área da Habitação estava Leonor Coutinho, há muito mestre na Grande Loja Feminina de Portugal. O secretário de Estado da Saúde era José Miguel Boquinhas (maçom e amigo de Jorge Coelho, de quem passou a ser sócio numa clínica de exames laboratoriais, a Fisiocontrol), que chegou a candidatar-se, há cerca de três anos, a bastonário da Ordem dos Médicos com fortes apoios de médicos (até sindicalistas) maçons. Acabou por perder para Pedro Nunes, o actual bastonário, que por sua vez sucedeu a Germano de Sousa, outro elemento do GOL. Também Rui Cunha, um maçom do GOL recentemente nomeado pelo Governo para provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, foi secretário de Estado adjunto do ministro do Trabalho e da Solidariedade. Ainda no mesmo Executivo, Armando Vara, depois de ter desempenhado as funções de secretário de Estado da Administração Interna, foi nomeado ministro da Juventude e do Desporto. Carlos Zorrinho, que era na altura secretário de Estado adjunto do ministro da Administração Interna, entrou há pouco para o GOL.

Segunda-feira, 18h30, Janeiro de 2007. Dois homens de fato escuro e gravata saem do n.º 17 da Rua João Saraiva, em Alvalade, e atravessam apressadamente a estrada neste fim de tarde já escuro. Dirigem-se a uma carrinha cinzenta Citroën C5. Abrem a mala, retiram aquilo que parecem roupas dobradas e uma maleta de cabedal preto, com pequenas rodas, que um deles arrasta pelo chão. Num instante, já estão a regressar ao edifício, mas ainda falta cerca de meia hora para a reunião da Loja Mercúrio, talvez a mais secreta da maçonaria regular portuguesa. À medida que o tempo vai passando, começam a chegar os carros. Um BMW 520i segue devagar, o motorista leva-o algumas dezenas de metros adiante, dobra a esquina e estaciona. Jorge Silva Carvalho, o chefe de gabinete que o secretário-geral do SIRP (Serviço de Informações da República Portuguesa) requisitou ao SIS, sai do banco traseiro, ajeita o fato azul-escuro e põe-se calmamente a caminho, deixando para trás o carro que é propriedade da secreta militar e que, desde 2002, foi cedido ao gabinete do director do SIRP, Júlio Pereira. Quase no mesmo instante, mas do outro lado da rua, o motorista de um BMW propriedade da Câmara Municipal de Oeiras estaciona e um homem sai apressado em direcção ao edifício degradado. É Isaltino Morais, que se junta a Emanuel Martins, líder do PS de Oeiras e um dos 17 maçons presentes na reunião de irmãos que se vai prolongar por mais de duas horas. Emanuel Martins tem sido o principal responsável pelo facto de Isaltino Morais ainda não ter caído da presidência da câmara: contra todas as expectativas, o líder da oposição tem vindo a manifestar solidariedade para com o autarca e seu “irmão”, acusado pelo Ministério Público dos crimes de corrupção, branqueamento de capitais e abuso de poder. Questionado pela SÁBADO sobre o assunto, Isaltino Morais não quis falar. Por essa altura, já outros carros topo de gama procuram estacionamento. Alguns estão a coberto do anonimato assegurado pelos registos – uns são Mercedes em leasing, outros são Audis registados em nome de empresas. Outros nem tanto, como são o caso de um Citroën C5 azul guiado por Paulo Miranda, o homem que foi vice-presidente do Conselho Nacional do CDS, ou o Opel Vectra que é propriedade do ex-reitor da Universidade Moderna, Britaldo Rodrigues.

Hoje é dia de iniciações de aprendizes, gente que vai entrar nos segredos da maçonaria. Um homem de cerca de 50 anos parece perdido. Olha para os edifícios em redor, agarra no telemóvel e obtém a confirmação do número da porta. Lá dentro, no andar superior ao corredor dos Passos Perdidos (onde são afixados os nomes de quem está em vias de ser iniciado), José Moreno, o social-democrata subdirector do Gabinete de Planeamento do Ministério das Finanças, e Paulo Noguês, especialista em marketing político e institucional, estão a postos para iniciar os rituais secretos da Grande Loja Regular de Portugal, que serão inevitavelmente seguidos de um ágape, uma espécie de convívio de homenagem aos recém-admitidos.

Os novos “irmãos” terão aí a oportunidade de, pela primeira vez, tomar contacto com a linguagem codificada da instituição: obedecendo às instruções dos mestres (o grau máximo que se pode atingir numa loja maçónica), pegam num “canhão” (copo), “carregam-no” (enchem-no) de “pólvora forte branca” (vinho branco) ou, em alternativa, de “pólvora forte vermelha”ite (vinho tinto) ou de “pólvora explosiva” (champanhe); “alinham” (colocam os copos em linha) e “fazem fogo” (bebem). A bebida é frequentemente acompanhada de “materiais” (comida). Há quem opte por colocá-los na “telha” (prato), agarrando na “trolha” (colher) ou no “tridente” (garfo), para de seguida “demolir os materiais” (mastigar). Para que o ambiente permaneça descontraído, é possível experimentar “pólvora do Líbano” (tabaco) ou “fazer fogo” com “pólvora fulminante” (licor). Normalmente este ritual tem lugar na sede da própria obediência, mas o edifício degradado em que funciona a maçonaria regular, situado em Alvalade, não é propício a grandes convívios. Resultado: os “irmãos” preferem carregar a simbologia para o restaurante mais próximo, onde discretamente convivem ao jantar. Como aconteceu nessa noite.

A GLRP é uma verdadeira salada de frutas de políticos. Reúne socialistas e monárquicas, sociais-democratas e centristas. Todos se dizem homens bons à procura do aperfeiçoamento individual e da humanidade, mas poucos se questionam sobre alguns dos episódios polémicos daquela obediência em Portugal, como o da estratégia montada durante largos meses pela direcção da Grande Loja para conseguir uma nova sede – um palacete situado em pleno Príncipe Real, em Lisboa – cedida pelo ex-presidente da Câmara de Lisboa, Carmona Rodrigues. Para “seduzir” o agora recandidato, a GLRP até lhe atribuiu uma importante condecoração maçónica, a grã-cruz da Ordem Honorífica Gomes Freire de Andrade. A divulgação do caso pela SÁBADO, em Abril, levou o vereador do Bloco de Esquerda, José Sá Fernandes, a fazer um requerimento para saber exactamente o que tinha sido acordado. Nunca obteve resposta, mas, ao que tudo indica, o palacete vai mesmo chegar às mãos da GLRP. De resto, o universo da autarquia lisboeta é um autêntico caldeirão maçónico. A SÁBADO sabe que o antigo chefe de gabinete de Carmona Rodrigues, Cal Gonçalves, é maçom. O mesmo sucede com vários membros da oposição no PS Lisboa, como Rui Paulo Figueiredo, que pertence à Loja Mercúrio, ou Miguel Coelho, líder da distrital do partido, Dias Baptista, líder do PS na autarquia, ou ainda Rosa do Egipto (recém-nomeado administrador da EPUL), Arnaldo João (advogado e ex-EPUL) e Gonçalo Velho (PS de Carnide). Em declarações à SÁBADO, José Manuel Anes afirma que ainda não acredita que o negócio em causa estivesse em marcha: “Estou profundamente triste pelo que li na vossa revista. Fiquei de boca aberta. A minha sensibilidade maçónica ficou ofendida”. Nandim de Carvalho, ex-grão-mestre da GLRP, não percebe Anes: “Isso não tem ponta por onde se lhe pegue. É uma declaração ininteligível.” E Nandim de Carvalho não fica incomodado com o secretismo com que toda a operação estava a ser planeada.

Segundo documentos a que a SÁBADO teve acesso, também já houve comendas atribuídas aos presidentes das Câmaras de Setúbal e Palmela, respectivamente, Carlos Sousa e Ana Teresa Vicente. As autarquias são outro dos sectores onde a maçonaria também tenta ter uma presença forte. Em Maio e Junho de 2001, o GOL organizou a exposição Maçonaria na Figueira, realizada no museu camarário. Em documentos internos da organização que a SÁBADO consultou, é destacado o “empenho e o profissionalismo” de diversas pessoas. Entre elas, o então vereador social-democrata Miguel Almeida. Melhor, o “irmão” Miguel Almeida, que seria braço-direito de Santana Lopes na Câmara de Lisboa, e que por diversas vezes o aconselhou a visitar o GOL e a subsidiar vários eventos da instituição. À SÁBADO, o actual deputado sublinha que não lhe repugna que os membros da instituição procurem ajudá-la. “Se for para defender os valores da casa, não acho mal, pelo contrário”, afirma. Será apenas coincidência, mas os maçons estão sempre a encontrar-se nas autarquias. Ainda nas últimas eleições, depois de Manuel Maria Carrilho ter feito uma manobra de antecipação, anunciando a disponibilidade para ser candidato do PS a Lisboa, João Soares, expresidente da Câmara, resignou-se ao facto de ter de se candidatar à liderança de outra cidade. Acabou por conseguir ser a aposta do PS a Sintra. O coordenador autárquico do partido era o seu “irmão” Jorge Coelho. Uma curiosidade: João Soares é um maçom sui generis. Na sua loja recusa-se terminantemente a usar o tradicional avental, por considerar que é “abichanado”. Em declarações à SÁBADO, João Soares confirma: “Uso avental em casa, não sou pessoa de grandes rituais. Estou lá pelo espírito republicano e laico da organização”. Um espírito que é defendido intransigentemente pelo grão-mestre António Reis. “Não telecomandamos pessoas ou grupos. Faço uma distinção total entre a espiritualidade ética e laica e os grupos de pressão que não somos”, diz. Vítor Ramalho, deputado do PS e maçom assumido, tem mais dúvidas. “Vejo com grande criticismo a entrada de certas pessoas e houve um período em que a maçonaria abriu as portas de forma menos avisada”, refere.

Resumindo: todos terão a consciência de que para manter o espírito puro é necessário muito esforço interno. Se não, veja-se a declaração de princípios da lista encabeçada em 2002 por António Arnaut, na qual se mencionava a corrupção e o compadrio nos partidos políticos, defendendo-se até a existência de um “novo tipo de prática maçónica” que levasse os “irmãos” para longe das disputas partidárias, tanto mais que os partidos, “que deviam ser intérpretes do interesse nacional e escolas de civismo”, se transformaram em “máquinas de conquista de poder e agendas de emprego”. O diagnóstico era, portanto, desanimador. “A corrupção alastra, o compadrio substitui o mérito, o interesse material oblitera o dever de servir a comunidade”, dizia o documento, apontando outros potenciais culpados: “São as multinacionais que inspiram certas leis e são os canais de televisão que ditam as regras, criam factos políticos e impõem a obscenidade.”

EM 1998, Fernando Negrão, o actual candidato do PSD à Câmara de Lisboa, que era então director da Polícia Judiciária, afirmou ao jornal Expresso que a maçonaria “com certeza democratizará a sua visibilidade”. Inquirido pelo mesmo jornal, Jorge Coelho, que era ministro da Administração Interna, disse que não faria sentido uma investigação sobre quem é quem na maçonaria portuguesa porque a época das perseguições já passara. O ponto de vista do exdirigente socialista parece ter vingado: na discussão que decorreu no ano passado no Parlamento, os deputados esclareceram muito bem quais seriam as novas regras do registo público de interesses a vigorar a partir de 2009. De fora ficaram, por proposta do PS e com a abstenção de toda a oposição, as ligações à maçonaria.

O desejo de secretismo sobre os membros da instituição vem de longe e mantém-se até hoje. Até para se reconhecerem em público os maçons utilizam códigos. Um exemplo: dois “irmãos” estão a falar em público sobre um qualquer assunto da loja a que pertencem. Um deles percebe que há um “profano” que se aproxima. Para avisar o interlocutor, diz a seguinte frase: “Está a chover.” Outro ainda: um membro desconfia, mas não tem a certeza, de que uma pessoa que se prepara para conhecer é maçom. Para o confirmar, ao cumprimentá-la dá-lhe três toques com o polegar. Se houver resposta igual, é um “irmão”. Outra forma de se reconhecerem: num jantar de grupo, um maçom pensa estar frente a outro maçom, embora não esteja certo disso. Para o saber, olha para ele enquanto coloca a pala da mão aberta sobre o próprio pescoço. Se a resposta for semelhante, o mistério está desfeito. António Arnaut – que, em 1978, enquanto ministro dos Assuntos Sociais, protagonizou um dos episódios mais sintomáticos da influência da maçonaria na sociedade civil, ao colocar em discussão o projecto de lei que criaria o Serviço Nacional de Saúde primeiro na sua loja maçónica e só depois no Parlamento – desempenhou um papel importante na relativa abertura da instituição. Ao contrário do que sucedeu com o seu antecessor – o coronel Eugénio de Oliveira, que usava o nome simbólico de Gandhi na Loja O Futuro, onde Afonso Costa (chefe de alguns Governos durante a I República) também esteve – o grão-mestre defendeu maior divulgação da natureza e dos princípios do GOL. Foi por isso que abriu as portas do palacete situado no Bairro Alto, em Lisboa, a personalidades como Jorge Sampaio, D. Duarte, Pedro Santana Lopes ou Jaime Gama, que na altura declarou que era o primeiro presidente da Assembleia da República não maçom de Portugal. Não era. O seu antecessor, Mota Amaral, pertence, de facto, a uma organização igualmente discreta, mas com outro nome – a católica Opus Dei. Em diversos documentos do GOL e da GLRP a que a SÁBADO teve acesso são feitas referências a encontros com o poder político e económico, muitos deles secretos: “Há que destacar também a recepção pelo grão-mestre do GOL de dirigentes de partidos políticos, embaixadores creditados em Portugal (…)”, pode ler-se numa comunicação interna do GOL, que, ao contrário do que acontece com a GLRP, não revela nomes “profanos” nos seus documentos, optando, por uma questão de segurança, pela utilização de nomes simbólicos (todos os maçons têm um) ou, no caso de se tratar de representantes institucionais exteriores ao GOL, pela inscrição das iniciais dos seus nomes.

A maçonaria está por todo o lado. Para intervir activamente na sociedade civil, cria as chamadas instituições para-maçónicas. Entidades como a Academia das Ciências de Lisboa, a Universidade Livre, os Pupilos do Exército, a Voz do Operário, a editora Hugin ou o Montepio Geral foram pensadas primeiro em lojas maçónicas e só depois lançadas na sociedade civil, normalmente com maçons na sua direcção. Foi isso que aconteceu também com a Universidade Moderna. Um professor maçom que esteve ligado ao projecto desde o início garante que a ideia foi desenvolvida na maçonaria. “O José Júlio Gonçalves e o Oliveira Marques [historiador que morreu recentemente] estavam em conflito porque os dois queriam ser reitores”, afirma. “Nessa altura, a ideia era chamar-lhe Europa, mas um dia o José Júlio, que era quem tinha arranjado forma de viabilizar o projecto, perdeu a paciência e disse ao Oliveira Marques para fazer a sua própria universidade. Foi quando criou a Moderna.” A versão é contestada por Nandim de Carvalho, fundador e primeiro presidente da Assembleia Geral da Universidade, que garante que Oliveira Marques “não teve participação” na ideia. O projecto acabaria por dar origem a um dos maiores escândalos políticos dos últimos 20 anos, prejudicando a imagem da maçonaria, sobretudo da GLRP. E também a de alguns políticos, como Paulo Portas, que foi o primeiro gestor da empresa de sondagens da universidade, a Amostra, e que conduzia um Jaguar da Moderna, ou Santana Lopes, que também geriu a Amostra e que tinha ao serviço um Mercedes Classe A – carros disponibilizados por José Braga Gonçalves, administrador da universidade, filho de José Júlio Gonçalves e membro da maçonaria da Casa do Sino.

“A maçonaria por dentro” – os nomes (Nota: aparecem os nomes, depois as posições e por fim a loja a que pertencem)

Estrutura dirigente da GLRP

Mário Martins Guia – Grão-mestre / Norton de Matos

José Moreno – Vice-grão-mestre / Mercúrio

Júlio Meirinhos – Vice-grão-mestre / Rigor

Paulo Noguês – Assistente de grão-mestre / Brasília

Luís Lopes – Assistente de grão-mestre / Marquês de Pombal

R. LeIé – Assistente vice-grão-mestre moreno/ Mestre Afonso Domingues

A. Rente – Assistente vice-grão-mestre meirinhos / Egitânia

José Coelho Antunes – Grande secretário/ Norton de Matos

I. Fonseca – Vice-grande secretário / Norton de Matos

Manuel Martins da Costa – Assistente de / grande secretário / Marquês de Pombal

Mário Gil Damião da Silva – Assistente de grande secretário/ Norton de Matos

J. A. Ferreira – Grande correio-mor / Estrela da Manhã

Alcides Guimarães – Primeiro grande vigilante / Rei Salomão

L Homem – Segunda grande vigilante / Conímbriga

Augusto Castro – Vice-primeiro grande vigilante / Anderson

R. Cruz – Vice-segundo grande vigilante / Portus Calle

Francisco Queiroz – Grande capelão / Teixeira de Pascoaes

Benito Martinez – Vice-grande capelão / Quinto Império

Mário Máximo – Grande orador / Nova Avalon

H. Veiga – Vice-grande orador / Bispo Alves Martins

Vítor Gabão Veiga – Grande hospitaleiro e esmoler / Soliditas

António Vicente – Grande arquivista e bibliotecário/ Harmonia

Arnaldo Matos – Grande porta-estandarte / Miramar

Manuel Cabido Mota – Grande superintendente e guardião do templo / Harmonia

Luís Honrado Ramos – Grande mestre de cerimónias / Almeida Garrett

Miguel Cardina – Primeiro grande experto / Mestre Afonso Domingues

Luís Pombo – Segunda grande experto / Miramar

Esmeraldo Mateus Vivas – Segundo grande experto / Marquês de Pombal

Manuel Pinto – Grande organista / Porto do Graal

Nuno Jordão – Grande porta-espada/ Nova luz

J. Ruah – Grande inspector/ Mestre Afonso Domingues

João Oliveira e Silva – Grande inspector/ Fernando Pessoa

Edgar Gencsi – Grande inspector/ Miramar

Manuel Sacavém – Grande inspector / Lusitânia

Nuno Silva – Vice-grande inspector / Fernando Pessoa

José Fernando d’Alte – Vice-grande inspector / Almeida Garrett

G. Ribeiro – Vice-grande inspector/ Aristides Sousa Mendes

Manuel Tavares Oliveira – Vice-grande inspector / Anderson

José Oliveira Costa – Assistente grande inspector / Bispo Alves Martins

Armando Anacleto – Assistente grande inspector / Egitânia

António Delfim Oliveira Marques – Assistente grande inspector / Egas Moniz

Jorge Vilela Carvalho – Assistente grande inspector/ Astrolábio

Paulo Albuquerque – Assistente grande inspector / Lusitânia

Membros do governo e deputados

Nomes que são da maçonaria ou, em algum momento, foram membros:

Rui Pereira (actual ministro da Administração Interna e ex-director dos serviços secretos)

António Castro Guerra (actual secretário de Estado adjunto, da Indústria e Inovação)

António Arnaut (ex-ministro socialista)

Jorge Coelho (ex-ministro socialista)

António Vitorino (ex-rninistro socialista, entretanto expulso do GOL)

Isaltino Morais (ex-ministro social-democrata e actual presidente da Câmara de Oeiras)

Almeida Santos (ex-ministro e ex-presidente do Parlamento)

João Cravinho (ex-ministro socialista)

Armando Vara (ex-ministro PS e actual administrador da CGD)

Rui Gomes da Silva (deputado e ex-ministro do PSD)

Carlos Zorrinho (ex-secretário de Estado PS e coordenador do Plano Tecnológico)

Fausto Correia (eurodeputado e ex-secretário de Estado socialista)

Juristas, diplomatas e espiões

António Lamego (advogado)

António Pinto Pereira (advogado)

José António Barreiras (advogado)

Diamantino Lopes (ex-vice-bastonário da Ordem dos Advogados)

Rodrigo Santiago (advogado)

Nuno Godinho Matos (advogado)

Guerra da Mata (advogado)

Miguel Cardina (advogado)

Manuel Pinto (advogado)

Luís Moitinho de Oliveira (advogado)

Ricardo Sá Fernandes (advogado e ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais do PS)

Ricardo da Velha (desembargador jubilado e ex-participante no programa televisivo “O Juiz Decide”)

Jorge Silva Carvalho (chefe de gabinete de Júlio Pereira, director do Serviço de Informações da República Portuguesa)

José Manuel Anes (director da revista Segurança e Defesa)

José Fernandes Fafe (diplomata)

Fernando Reino (diplomata jubilado)

Gestores, médicos e militares

Abel Pinheiro (administrador da Grão-Pará)

Maldonado Gonelha (administrador da Caixa Geral de Depósitos e ex-ministro da Saúde socialista)

Fernando Lima Valadas (gestor da construtora Abrantina)

Amadeu Paiva (administrador da Unicre)

Carlos Monjardino (presidente da Fundação Oriente)

José Miguel Boquinhas (médico, presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental e ex-secretário de Estado socialista)

Germano de Sousa (ex-bastonárioda Ordem dos Médicos)

Cipriano Justo (médico e sindicalista)

Jacinto Simões (médico e ex-director do Hospital de Santa Cruz)

Santinho Cunha (médico legista)

Vasco Lourenço (militar de Abril)

Palma lnácio (ex-resistente antifascista)

Professores, arquitectos, escritores, músicos e outros

José Júlio Gonçalves (ex-reitor da Universidade Moderna)

António de Sousa Lara (professor e exsubsecretário de Estado da Cultura socialdemocrata)

Lemos de Sousa (professor catedrático)

Jorge de Sá (professor e director da empresa de sondagens Aximage)

Fernando Condesso (professor)

José Manuel Fava (arquitecto e ex-sogro de José Sócrates)

Troufa Real (arquitecto)

José Jorge Letria (escritor)

Mário Zambujal (escritor)

José Fanha (escritor)

Fausto (cantor)

Carlos Alberto Moniz (cantor)

José Nuno Martins (apresentador)

Nicolau Breyner (actor)

Moita Flores (argumentista e presidente da Câmara Municipal de Santarém)

Henrique Monteiro (director do jornal Expresso)

João Proença (secretário-geral da UGT)

(…)

A. Rente – (GLRP) – Assistente vice-grão-mestre meirinhos / Egitânia. Abel Pinheiro (administrador da Grão-Pará e ex-homem forte das finanças do CDS “assume uma ligação de mais de 20 anos à maçonaria”), arguido no processo judicial Portucale. Alcides Guimarães – (GLRP) – Primeiro grande vigilante / Rei Salomão Almeida Santos (ex-rninistro e ex-presidente do Parlamento). Amadeu Paiva (administrador da Unicre). António Arnaut, (PS) em 1978, ex-ministro dos Assuntos Sociais em 2002, assinava uma declaração de princípios que denunciava a corrupção e o compadrio nos partidos políticos, defendendo-se até a existência de um “novo tipo de prática maçónica”. António Castro Guerra (actual secretário de Estado adjunto, da Indústria e Inovação). António de Sousa Lara (ex-subsecretário de Estado da Cultura de um governo de Cavaco Silva e professor e ex-subsecretário de Estado da Cultura, social-democrata, que acabou envolvido no escândalo da Universidade Moderna). António Delfim Oliveira Marques – (GLRP) – Assistente grande inspector / Egas Moniz. António Lamego (advogado). António Pinto Pereira (advogado). António Reis, ex-deputado sodalista, grão-mestre do Grande Oriente Lusitano (GOL). António Vicente – (GLRP) – Grande arquivista e bibliotecário / Harmonia . António Vitorino (antigo ministro socialista da Defesa e excomissário europeu), entretanto expulso do GOL. Armando Anacleto – Assistente grande inspector / Egitânia. Armando Vara, depois de ter desempenhado as funções de secretário de Estado da Administração Interna, foi nomeado ministro da Juventude e do Desporto. Hoje é administrador da Caixa Geral de Depósitos, nomeado pelo Governo. Arnaldo João (advogado da ex-EPUL). Arnaldo Matos – (GLRP)- Grande porta estandarte / Miramar. Augusto Castro – (GLRP) – Vice-primeiro grande vigilante/ Anderson. Benito Martinez – (GLRP)- Vice-grande capelão / Quinto Império. Cal Gonçalves, (GLRP),antigo chefe de gabinete de Carmona Rodrigues é maçon. O mesmo sucede com vários membros da oposição no PS Lisboa. Carlos Alberto Moniz (cantor). Carlos Monjardino (presidente da Fundação Oriente). Carlos Zorrinho, ex- secretário de Estado adjunto do ministro da Administração Interna e coordenador do Plano Tecnológico, entrou há pouco para o GOL. Cipriano Justo (médico e sindicalista) Diamantino Lopes (ex-vice-bastonário da Ordem dos Advogados). Dias Baptista (líder do PS na autarquia/Lisboa). Edgar Gencsi – (GLRP)- Grande inspector / Miramar. Emanuel Martins (líder do PS de Oeiras, apoiante de Isaltino de Morais na Câmara). Esmeraldo Mateus Vivas – (GLRP) – Segundo grande experto / Marquês de Pombal. Eugénio de Oliveira, coronel, [GOL] grão-mestre, (de 1996/02) que usava o nome simbólico de Gandhi na Loja O Futuro, onde esteve Afonso Costa; defendeu maior divulgação da natureza e dos princípios do GOL. Fausto (cantor). Fausto Correia, – (PS) euro-deputado, outro histórico do Grande Oriente Lusitano; em 2000, no governo de Guterres, ocupou o cargo de secretário de Estado adjunto do ministro de Estado, o seu amigo e “irmão” Jorge Coelho. Fernando Condesso (professor). Fernando Lima Valadas (gestor da construtora Abrantina). Fernando Reino (diplomata jubilado). Francisco Queiroz – (GLRP) – Grande capelão / Teixeira de Pascoaes. G. Ribeiro – (GLRP)- Vice-grande inspector/ Aristides Sousa Mendes. Germano de Sousa (ex-bastonárioda Ordem dos Médicos. Outro elemento do GOL). Gonçalo Velho (PS de Carnide). Guerra da Mata (advogado). H. Veiga – (GLRP) – Vice-grande orador / Bispo Alves Martins. Henrique Monteiro (director do jornal Expresso); I. Fonseca – (GLRP)- Vice-grande secretário / Norton de Matos. Isaltino Morais (ex-ministro social-democrata e actual presidente da Câmara de Oeiras) PSD. J. A. Ferreira – (GLRP) – Grande correio-mor / Estrela do Manhã. J. Ruah – (GLRP) – Grande inspector/ Mestre Afonso Domingues. Jacinto Simões (médico e ex-director do Hospital de Santa Cruz). João Cravinho (ex-ministro socialista das Obras Públicas e actual administrador do Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento). João Oliveira e Silva – (GLRP)- Grande inspector/ Fernando Pessoa. João Proença (secretário-geral da UGT). João Soares (ex-presidente da Câmara Municipal de Lisboa), GOL, é um maçon sui generis. Na sua loja recusa-se terminantemente a usar o tradicional avental, por considerar que é “abichanado”. Jorge Coelho – (ex-ministro socialista um dos mais influentes militantes da história do Partido Socialista enquanto ministro da Administração Interna, teve como secretário de Estado em 1997, Rui Pereira. Jorge de Sá (professor e director da empresa de sondagens Aximage). Jorge Silva Carvalho (chefe de gabinete de Júlio Pereira, director do Serviço de Informações da República Portuguesa – SIRP). Jorge Vilela Carvalho – (GLRP) – Assistente grande inspector/ Astrolábio. José António Barreiras (advogado). José Braga Gonçalves (membro da maçonaria da Casa do Sino; administrador da Universidade Moderna). José Coelho Antunes – (GLRP) – Grande secretário/ Norton de Matos. José Fanha (escritor). José Fernandes Fafe (diplomata). José Fernando d’Alte – (GLRP) – Vice-grande inspector / Almeida Garrett. José Jorge Letria (escritor). José Júlio Gonçalves, (GLRP) ex-reitor da Universidade Moderna. José Manuel Anes, além de ser hoje grão-mestre honorário da GLRP, é director da revista maçónica Aprendiz e da publicação Segurança e Defesa, lançada em Outubro de 2006 pela editora Diário de Bordo, e onde escrevem vários elementos ligados aos serviços secretos.José Manuel Fava (arquitecto e ex-sogro de José Sócrates). José Miguel Boquinhas (médico, presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental e exsecretário socialista de Estado da Saúde) maçon e amigo de Jorge Coelho, de quem passou a ser sócio numa clínica de exames laboratoriais, a Fisiocontrol. José Moreno – (GLRP) – Vice-grão-mestre / Mercúrio (social democrata, subdirector do Gabinete de Planeamento do Ministério das Finanças). José Nuno Martins (apresentador). José Oliveira Costa – (GLRP)- Assistente grande inspector / Bispo Alves Martins. Júlio Meirinhos – (GLRP) – Vice-grão-mestre / Rigor. L Homem – (GLRP) – Segunda grande vigilante / Conímbriga. Lemos de Sousa (professor catedrático). Luís Fontoura, social democrata e ex-secretário de Estado da Cooperação dos governos de Balsemão. Luís Honrado Ramos – (GLRP) – Grande mestre de cerimónias / Almeida Garrett . Luís Lopes – (GLRP) – Assistente de grão-mestre / Marquês de Pombal. Luís Moitinho de Oliveira (advogado) . Luís Nunes de Almeida, o ex-presidente do Tribunal Constitucional (TC) falecido em 2004, mestre da Loja Convergência. (Rito maçónico efectuado abusivamente na Capela mortuária da Basílica da Estrela ). Luís Pombo – (GLRP) – Segundo grande experto / Miramar. Maldonado Gonelha (socialista, administrador da Caixa Geral de Depósitos e ex-ministro da Saúde) Manuel Cabido Mota – (GLRP) – Grande superintendente e guardião do templo / Harmonia. Manuel Martins da Costa – (GLRP) – Assistente de / grande secretário / Marquês de Pombal. Manuel Pinto – (GLRP) – Grande organista / Porto do Graal – (advogado). Manuel Sacavém – (GLRP) – Grande inspector / Lusitânia. Manuel Tavares Oliveira – (GLRP) – Vice-grande inspector / Anderson. Mário Gil Damião da Silva – (GLRP) – Assistente de grande secretário/ Norton de Matos. Mário Martins Guia – (GLRP) – Grão-mestre / Norton de Matos – (escritor). Mário Máximo – (GLRP) – Grande orador / Nova Avalon. Mário Zambujal (escritor). Miguel Almeida, social-democrata maçon, que terá sido o braço direito de Santana Lopes na Câmara de Lisboa. Miguel Cardina – (advogado) (GLRP) – Primeiro grande experto / Mestre Afonso Domingues. Miguel Coelho, líder da distrital do partido. Miguel de Almeida (deputado; ex-vereador social democrata do GOL). Moita Flores (argumentista e presidente da Câmara Municipal de Santarém).Nandim de Carvalho (ex-grão-mestre da GLRP). Nicolau Breyner (actor). Nuno Godinho Matos (advogado). Nuno Jordão – (GLRP) – Grande porta-espada/ Nova luz. Nuno Silva – (GLRP) – Vice-grande inspector / Fernando Pessoa. Oliveira Marques, (GLRP) historiador que morreu recentemente. Palma lnácio (ex-resistente antifacista). Paulo Albuquerque – (GLRP) – Assistente grande inspector / Lusitânia. Paulo Miranda, o homem que foi vice-presidente do Conselho Nacional do CDS. Paulo Noguês – (GLRP) – Assistente de grão-mestre / Brasília – (especialista em marketing político e institucional). R. Cruz – (GLRP) – Vice-segundo grande vigilante / Portus Calle. R. Lelé – (GLRP) – Assistente vice-grão-mestre moreno/Mestre Afonso Domingues. Ricardo da Velha (desembargador jubilado e ex-participante no programa televisivo O Juiz Decide). Ricardo Sá Fernandes (advogado e ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais do PS, no executivo de Ant. Guterres). Rodrigo Santiago (advogado). Rosa do Egipto (recém nomeado administrador da EPUL). Rui Cunha, um maçon do GOL recentemente nomeado pelo Governo para provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, foi secretário de Estado adjunto do ministro do Trabalho e da Solidariedade. Rui Gomes da Silva (deputado e ex-ministro do PSD). Rui Paulo de Figueiredo (membro da oposição no PS / Lisboa / Loja Mercúrio). Rui Pereira, – um dos nomes mais fortes do GOL, fez parte da Loja Convergência, participou na Reforma Penal e na presidência-sombra do Supremo Tribunal Maçónico da Loja Luís Nunes de Almeida. Integra o Tribunal Constitucional. É o actual ministro da Administração Interna. Foi director, entre 1997 e 2000, do Serviço de Informações de Segurança (SIS) e mantém desde então relações próximas com o mundo da espionagem portuguesa. Foi secretário de estado da Admin. Interna. Santinho Cunha (médico legista). Troufa Real (arquitecto). Vasco Lourenço (militar de Abril). Vítor Gabão Veiga – (GLRP) – Grande hospitaleiro e esmoler / Soliditas. Vítor Ramalho, deputado do PS e maçon assumido.

Senhoras “maçans” da Grande Loja Feminina de Portugal

* Ana Bela Pereira da Silva, presidente da Associação Portuguesa das Mulheres Empresárias. * Helena Sanches Osório, jornalista já falecida, uma das fundadoras da GLFP. * Leonor Coutinho, mestre na Grande Loja Feminina de Portugal. Ex-secretária de Estado da Habitação do governo de António Guterres. * Maria Belo (psicanalista; militante socialista (PS); Grande Loja Feminina de Portugal fundada em 1983.

Mulheres vendadas

“Se a solidariedade entre ‘irmãs’ existe, eu nunca a vi.”

Quem o afirma à SÁBADO é um membro da Grande Loja Feminina de Portugal (GLFP), a obediência maçónica criada em 1983, entre outras, pela psicanalista e militante socialista Maria Belo, numa antiga garagem com uma gruta por trás. Maria Belo e as “irmãs” – entre elas a já falecida jornalista Helena Sanches Osório decidiram chamar a essa primeira loja Unidade e Mátria. Tornou-se conhecida por ser muito rigorosa no cumprimento do ritual. “Lá, o segredo é mesmo a alma do negócio. No dia da minha iniciação, meteram-me num carro e andaram comigo a passear de olhos vendados para não imaginar sequer para onde ia. Elas levam a promoção do secretismo até ao ridículo e as figuras de topo guardam toda a informação para si. Se quiser saber nomes de outros elementos, não me dizem. Querem manter o poder”, afirma o mesmo membro, que ainda hoje não convive bem com o facto de ter de dizer sempre uma palavra passe para entrar na sede da GLFP nem com a obrigatoriedade de terem de ser as candidatas à irmandade a confeccionar à mão o seu traje maçónico. “Disseram-me que tinha de ser eu a cosê-lo… Fui a casa da minha mãe e ela ajudou-me”, diz. A sede da GLFP situa-se em Lisboa, junto ao Largo do Adamastor. Entre os seus membros estão Leonor Coutinho, ex-secretária de Estado da Habitação do governo de António Guterres, e Ana Bela Pereira da Silva, presidente da Associação Portuguesa das Mulheres Empresárias (…)

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Setembro 21, 2009

A serpente exposta

Uma activista nacionalista portuguesa acedeu ao site do CIPSAS, a maior organização multicontinental da maçonaria irregular, e disponibilizou os resultados do que encontrou. Documentos que demonstram a forma como as lojas maçónicas se encontram ligadas à construção da União Europeia e à aprovação dos seus tratados bem como a utilização desta para a difusão das ideias maçónicas. Textos onde se definem as estratégias de propagação explicita e implícita (por mensagens subliminares) das ideias maçónicas através das novas tecnologias e em particular da internet. A intenção de construir um mundo uniformizado e erguer um governo global ou uma Nova Ordem Mundial. A necessidade de, para o efeito, acabar com as identidades raciais, nacionais e religiosas.A importância da mitologia judaica para a historiografia maçónica… enfim, nada que os nacionalistas europeus desconhecessem ou não venham a denunciar há anos mas que é aqui exposto a partir da própria fonte, dos documentos internos das próprias lojas. Para ver, gravar e divulgar!

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Maio 31, 2009

Não à Europa maçónica!

«A carta com data de 29 de Outubro de 1979 do secretário-geral do Conselho da Europa Franz Karasek dirigida a António Garcia Borrajo, Grande Orador do Grande Oriente Espanhol, na sua parte mais essencial destaca: A vossa organização [a maçonaria] colaborou sempre de uma maneira activa nos trabalhos do Conselho da Europa […] e tomámos nota das recomendações adoptadas pelo seu comité. (…)»

Jorge Blaschke e Santiago Rio, A verdadeira história da maçonaria, QuidNovi , pp 227-228

«A Europa não é um tratado, não é uma constituição. É necessário, sem dúvida. Não é um Continente. A Europa não é um fim em si. A Europa é uma ideia. A Europa é uma etapa.

É antes de tudo uma etapa, uma etapa em direcção a um outro mundo, em direcção ao nosso mundo. Em direcção a vós que vindes de África. A vós que vindes da Ásia. A vós que vindes dos Estados-Unidos. A vós que vindes da América Latina. A Europa está aberta ao mundo. A Europa não pode estar fechada. A Europa é o primeiro passo em direcção a um mundo sem fronteiras. A Europa é o primeiro passo em direcção a um mundo do Universal.(…)

Mas a Europa é também e sobretudo uma ideia.(…)

Então juntemo-nos!

Juntemo-nos, juntemos as forças humanistas de todo o mundo para vencer. Para que os nossos ideais se tornem num verdadeiro combate e para que esse combate possa ser vitorioso, juntemos as nossas forças.»

Jean-Michel Quillardet, à época Grão-mestre do Grande Oriente de França, no seu discurso de encerramento da reunião maçónica internacional de Estrasburgo a 2 e 3 de Junho de 2007

O papel decisivo da maçonaria na edificação da U.E. é um facto bem conhecido e, ao longo dos tempos, assumido pelos próprios maçons, de forma mais ou menos explícita. Também disso (mas não só…) resulta a explicação para as ideias que têm norteado todo o actual processo de construção económico-político da Europa.

Sou contra a U.E. mas não sou um anti-europeísta, ou seja, acredito na validade de uma construção política europeia, mas assente em pressupostos antagónicos àqueles que servem de base a esta União.

A minha oposição ao Tratado sobre a União Europeia partiu, antes de qualquer outra razão, de uma renúncia de princípio àquilo que no referido texto pretendia definir a Europa. Nas centenas de páginas do tratado não há uma única referência à identidade concreta e física da Europa, não encontramos uma forma perene de distinguir a Europa de qualquer outra parte do mundo. Pelo contrário, aquilo que ali pretende caracterizar os europeus, logo a partir do preâmbulo, é a adesão a um conjunto de princípios ideológicos universalistas e humanistas. Assim, não é europeu o homem ou mulher que descende e nasce no seio de um povo europeu, mas os membros de toda a humanidade que adiram à doutrina política liberal de quem ergueu a União Europeia.

Quando o Grão-mestre maçom Quillardet afirma, no final da reunião internacional da maçonaria, que a Europa não é um Continente, nem um fim, mas, pelo contrário, é uma “ideia” e uma etapa, uma transição portanto, aberta a todos os povos do mundo, expõe claramente a forma como esta U.E. é um instrumento na construção da República Universal maçónica. E isso é mais um dos dados que ajudam a explicar a razão pela qual os povos europeus vão perdendo gradualmente a sua identidade submergidos por milhões de imigrantes de todo o mundo sem que haja a menor vontade política de inverter tendências, bem como a razão pela qual a U.E. pretende abrir-se à Turquia ou aos países do Magrebe, que não fazem parte do seu bloco geográfico-cultural.

É contra isto que nos batemos, a nossa Europa não é uma “ideia” nem uma etapa rumo a outros fins pouco confessáveis, é a nossa “pátria maior”, aquela que une e complementa todas as nações do Continente.

A Europa que queremos é um fim em si mesmo, onde os europeus não o são pelas ideias que têm (mesmo se não forem as da república universal-humanista) e que está delimitada pelas suas características identitárias: é o espaço dos povos caucasóides que se situam na área geográfica delimitada a ocidente por Portugal, a oriente e a norte pela Rússia e a sul pela Grécia.

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Agosto 26, 2007

Aventuras maçónicas…

(O texto que se segue foi traduzido da revista electrónica “Disidencias” e optei pela sua publicação pelo interesse e importância de alguns dos dados sumariados para a compreensão da história sócio-política da Europa. Contudo, algumas passagens parecem encerrar empatia para com uma certa ideia da maçonaria, algo que eu não partilho nem aceito.)

EUA – O Império maçon

Historicamente a maçonaria norte-americana nunca perdeu o ritmo da política na sociedade do seu tempo e sempre conseguiu colocar os seus membros em postos chaves da administração.

Cerca de 75% dos presidentes norte-americanos foram maçons ou comprometidos com a maçonaria. E nos últimos 30 anos, foram maçons, Lyndon B. Jhonson, Gerald Ford, George Busch. Bill Clinton pertence à “Ordem de Molay”, para filhos de maçons. Ronald Reagan, apoiou a sua administração nas novas fortunas capitalistas (o chamado “dinheiro novo”) que surgiram durante os anos setenta e que rivalizavam com o “staff” liberal dos Rockefeller, dos Morgan e dos círculos mundialistas, porém não deixou de rodear-se de conhecidos maçons (George Busch) e membros da Opus Dei (a embaixadora Kirpatrick).

Um dos centros do poder norte-americano onde a maçonaria tem sempre estado comodamente representada é no Pentágono. Calcula-se que 80% dos altos oficiais do Exército – quase como nos tempos de George Washington- pertencem a alguma das 52 Grandes Lojas (uma para cada um dos Estados da União), é assim que está dividida a maçonaria dos E.U.A. Os generais Collin Powell e Schwarzkopf, que dirigiram as operações na Guerra do Golfo Pérsico, são, assim mesmo, maçons.

A maçonaria americana actual conta com mais de 15.000 lojas e um total de 4.000.000 de filiados, a que se soma um número idêntico de afiliados em organizações para-maçónica (a Ordem dos Shriners, só para maçons do grau 30 a 33, a Ordem da Estrela do Oriente, para mulheres de maçons, conta com 2.500.000 membros, a Ordem de Molay para filhos de maçons, a Ordem do Arco Íris e a Ordem de Job para filhas de maçons, etc). Todo isto supõe um peso social e político decisivo e uma rede de ajuda mútua que alcança todos os sectores e quadrantes da vida norte-americana. Numericamente a maçonaria americana constitui o dobro do resto da maçonaria mundial. Os presidentes norte-americanos podem até não ser maçons, porém, jamais irão contra os interesses da maçonaria.

A União Europeia – Obra predilecta da maçonaria

Em 26 de Julho de 1994, Luis Salat, Grão Mestre da maçonaria espanhola afirmava que cerca de “90% das pessoas que propiciaram a União Europeia são maçons”. A declaração deu-se durante a inauguração da Loja Estrela Matutina nº 75, composta por 20 maçons de poucos anos. Salat declarou que “os maçons decidiram criar a União Europeia no intuito de coibir o absurdo de que Ingleses, franceses, alemães e outros povos se matem a cada 30 anos”.

Dois anos depois, em 8 de junho de 1995, o historiador Josep Carles Clemente reconheceu que a maçonaria propiciou a entrada da Espanha no Mercado Comum com o voto favorável de 60% dos membros do Parlamento Europeu, que pertenciam à maçonaria. Tomás Sarobe, sucessor de Salat, recordou que no início de 1997 mais da metade dos euro-parlamentares eram maçons. Em alguns meios anti-maçónicos tem-se chegado a afirmar que o Conselho da Europa é, em si mesmo, uma obediência maçónica; algo excessivo. A partir de 1922, a ideia da reconstrução da Europa, havia sido gerada, veiculada e promovida por maçons e foi na maçonaria europeia onde alcançou maior eco. O conde Richard Coudenhove-Kalergi criou em 1922 a União Pan-Europeia e nela se filiaram proeminentes políticos dos quadros da maçonaria da época: Benes (Checoslováquia), Streseman (Alemanha), Herriot (França). E o primeiro Congresso Pan-Europeu estava presidido por Benes e a ele assistiram também os maçons Nitti (Itália), Loebe (Alemanha) e Caillaux (França). O impacto da “ideia europeia” foi tal que impregnou todos os ambientes maçónicos e ocultistas. Uma das organizações mais misteriosas da época, “Alfa-Galatas”, presidida por Pierre Plantard, posteriormente Grão Mestre do Priorado do Sião, foi uma das que aderiram entusiasticamente.

A partir de 1946, no pós-guerra europeu, as distintas obediências maçónicas impulsionaram a criação dos organismos internacionais Pan-Europeus : o Conselho para uma Europa Unida, de Jean Monnet, a Liga Independente de Cooperação Europeia de Van Zeeland, a União Parlamentar Europeia de Coudenhove Kalrgi, a Associação Internacional para a Unidade Europeia de Joseph Retinger, etc. Todos eles, sem excepção, foram maçons.

Na actualidade, a influência da maçonaria no Parlamento Europeu é decisiva e as nossas fontes coincidem com os números dados pelo historiador J.C.Clemente, embora haja discordância quanto à representatividade de cada país, França, Inglaterra, Bélgica e Alemanha, superam a média. Temos que reconhecer que, neste terreno, o papel da maçonaria foi e está a ser extraordinariamente positivo. Graças às lojas foi possível assegurar a construção da Europa sem riscos de guerra, ao menos no Ocidente tem sido erradicada. Mais problemática é a participação e a presença de maçons em outras instituições.

Maçonaria nos órgãos de segurança do Estado

A maçonaria está presente nos corpos de segurança, não só nos E.U.A. (CIA), mas também na Inglaterra (Scotland Yard) e inclusive na policia italiana. Isto tem proporcionado o seu envolvimento em alguns escândalos.

Em 1993 o procurador italiano Agostino Cordova deu um grito de alarme ao denunciar que a maçonaria “estava infiltrada” entre os carabinieri e a polícia e que por isso era impossível investigar as lojas maçónicas e os seus laços com a política e a máfia.

Córdova, considerado como o magistrado que melhor conhece a máfia calabresa (N’drangheta) e que desde 1995 investigava a maçonaria afirmou que “o tecido do poder económico, político e administrativo da Itália”, segundo as suas investigações, conta com mais de 30.000 maçons e definiu-os como “autêntico partido incontrolável e que metade da militância pode ser perversa”. Num comunicado à imprensa, referindo-se aos carabinieri, declarou : “disseram-me que não conheciam a existência de lojas em zonas onde a sua existência é de domínio público” e explicou esse boicote devido a “muitos delatores dentro das forças da ordem”.

O Ministério do Interior avaliou em uns 100 os maçons que pertenciam às Forças da Ordem Pública. O procurador assinalou que dos 634 deputados, 28 pertenciam à maçonaria, dos quais, 19 pertenciam à loja P-2. É facto que a maior concentração de maçons italianos se localizava em Nápoles, Sicília e Calábria, ou seja, os lugares de maior concentração mafiosa e que tudo isto tivesse lugar num país que se convulsionou com o escândalo da P-2, transforma em inquietante este episódio.

Igualmente inquietante é o “Registro de Maçons” estabelecido no Reino Unido, depois da denúncia interposta pelos advogados dos “seis de Birminghan”. Na verdade, em meados dos anos 80, um grupo de cidadãos de Birminghan foram confundidos com membros do Exército Republicano Irlandês e condenados a duras penas de prisão. Os acusados sempre sustentaram a sua inocência, mesmo após terem sido submetidos a maus tratos e torturas. Em 1995, depois de uma revisão judicial, foram inocentados de qualquer culpa ou responsabilidade.

Porém, a investigação prosseguiu até Março de 1997, e supõe-se que, desde o princípio, a Scotland Yard conhecia a inocência dos acusados, só que para encobrir o erro dos primeiros funcionários que realizaram as detenções, membros da maçonaria inglesa, seus irmãos de Ordem, inspectores, juízes e advogados, pertencentes todos eles à mesma loja, decidiram camuflar as provas apresentadas pela defesa e condenar todos os acusados.

Isto ocorreu num momento de crise da maçonaria britânica. Presidida pelo Duque de Kent, a Grande Loja Unida de Inglaterra sempre esteve muito ligada à casa real. Os sucessivos divórcios e escândalos que sacudiram a monarquia inglesa repercutiram-se desfavoravelmente na própria imagem da maçonaria. A isto somou-se a oposição e desconfiança com que Margaret Tatcher tratou sempre a instituição, procurando limitar sua influência. O caso dos “seis de Birminghan”, evidenciou um segredo existente desde os tempos de Jack “o estripador”: que a militância na maçonaria é uma boa credencial para ascender na Scotland Yard, instituição cuja cúpula, tradicionalmente, conta com um número de maçons excepcionalmente alto. O Parlamento sugeriu a criação de um “registro obrigatório de maçons” com o que a tradicional confidencialidade da ordem seria quebrada.

Porém a aventura mais inquietante envolvendo a maçonaria moderna é, sem dúvida, a protagonizada pela Loja italiana Propaganda 2.

Uma loja atípica no centro do terrorismo

Lício Gelli, nascido em 1919, ingressou aos 45 anos na Loja Propaganda 2. Estava-se em 1965. Quatro anos depois, membros desta loja começaram a protagonizar actos de violência e atentados terroristas inusitados na Europa. E isto durou quinze anos. Em 1980, Gelli foi nomeado Grão Mestre da P-2. Dois anos depois, apesar de ser um dos homens mais poderosos da Itália, tinha em cima de si ordens de busca e captura… Como conseguira chegar até ali?

Os escândalos da Loja P-2 movem-se em três direcções : de um lado a sua participação nos principais episódios do terrorismo na Itália, do outro no caso do colapso do Banco Ambrosiano e, finalmente, na rede de tráfico de influências políticas.

A partir da sua fundação, a P-2 contou com a presença de um numeroso grupo de oficiais dos serviços de informação italianos (primeiro do SIFAR e depois do SID). Em 12 de Dezembro de 1969, estoura uma bomba na “Banca dell’Agricoltura” em Milão. Morrem 12 pessoas e o impacto causado na opinião pública foi impressionante. O acto foi atribuído sucessivamente à extrema-esquerda e logo à extrema-direita. O seu resultado político reforçou o governo de centro-esquerda e, em concreto, a figura de Andreotti.

Quatro anos depois produziu-se o atentado ao comboio “Italicus” e uma bomba causou meia dezena de vítimas na Praça da Loja de Brescia. No princípio dos anos 80 foram responsabilizados por todos estes atentados, membros do SID. E outro tanto ocorreria com o atentado à estação de Bolonha em Agosto de 1980, o atentado mais sangrento cometido em tempo de paz na Europa, com quase uma centena de mortos.

Cada um destes dramáticos episódios ocorria em momentos graves da política italiana e era utilizado como desculpa para recompor as forças e conquistar as noticias, as manchetes fizeram com que a raiz do crime passasse despercebida. Em 1980, a magistratura italiana descobrira uma rede de tráfico de influências em que estavam implicados vários generais da Guarda de Finanças, membros da P-2. A tensão emocional vivida através do atentado de Bolonha fez com que durante anos o caso fosse bloqueado. Em 1969 e 1974, quando se produziram os atentados de Milão, Italicus e Brescia, o centro-esquerda tentou fortalecer-se com a justificativa de fazer frente ao inimigo comum, os terroristas que actuavam na sombra.

Em 1980, alguns juízes italianos começaram a dirigir as suas investigações para apurar os responsáveis pelos atentados, porque até aí haviam seguido pistas equivocadas. Caprichosamente, em todas as investigações, alcança-se um ponto em que aparece a SID e, mais em concreto, os nomes de uma série de oficiais da “inteligência” desta instituição. E se os implicados nestes atentados foram manipulados pela SID? E se a SID criou pistas falsas, desviou investigações e indiciou falsos culpados? Os nomes de Gianadelio Maletti, Antonio Labruna y Stefano Viezzer, encabeçam e aparecem nos novos sumários instruídos. Em 1982, os magistrados deram um novo passo em frente nas suas investigações ao estabelecer que estes oficiais da SID eram, ao mesmo tempo, membros, e dos mais veteranos, da Loja maçónica P-2… A loja estava por detrás dos episódios mais violentos ocorridos na Itália entre 1969 e 1984, perpetrados para favorecer os interesses políticos de seus afiliados.

Quando em março de 1981 a policia revista “Villa Wanda” em Arezzo, a residência de Licio Gelli, lá encontrou uma lista com 900 filiados da P-2. Entre eles estava o nome de Giulio Andreotti, principal beneficiário político dos massacres e processado pelas suas implicações com a máfia Siciliana e a Camorra napolitana.

Tina Anselmi, presidente da Comissão Parlamentar que investigou a desestabilização política entre os anos 70 e 80 na Itália, declarou que os filiados da P-2 chegaram a ser 2.500. Ignora-se o nome de 1.600. Normalmente uma loja maçónica dificilmente tem mais de 50 filiados. Podemos supor que uma “loja” de 2.500 membros é praticamente inviável e o seu sistema de organização, gestão e actuação, deve, necessariamente, ser muito diferente do de uma loja regular. A P-2 era muito mais que uma “loja selvagem”, não reconhecida por nenhuma “obediência ” (federação de lojas que reconhecem uma única autoridade), era uma verdadeira rede de poder tentacular. Os seus vínculos com o terrorismo, a máfia e a CIA, evidenciam que não titubeava, no seu auge, na hora de utilizar meios ilícitos para conseguir os seus fins e intentos.

O colapso do Ambrosiano

Michele Sindona, banqueiro vinculado aos círculos mafiosos norte americanos, amigo pessoal de Paulo VI e de Licio Gelli, Grão Mestre da P-2, teria desde o início boas relações com o Vaticano e com os gestores do Instituto de Obras Religiosas (banco do Vaticano). Graças a Umberto Ortolani, outro membro da P-2 introduzido no Vaticano, trocaram-se favores com Paul Marcinkus, diretor do IOR, banco do Vaticano. Marcinkus investiu dinheiro do IOR no Banco Ambrosiano de Michele Sindona e este utilizou a rede bancária do Vaticano para lavar dinheiro da máfia. Licio Gelli – com os seus contactos na Guarda de Finanças, nos Serviços Secretos e no governo – conseguia garantir impunidade para todas estas operações.

Com a morte de Sindona, assumiu a direção do Banco Ambrosiano Roberto Calvi, tesoureiro da P-2. Foi no seu mandato e a seu mando que se produziu o colapso da instituição, cujas dívidas assumiu o IOR Vaticano. A morte de Paulo VI e o fugaz pontificado de João Paulo I precipitaram esta situação. O novo papa tentou clarear a situação e romper os vínculos que ligavam o Vaticano à máfia, à maçonaria e à CIA. Morreu em circunstâncias misteriosas e a situação continuou igual. As suspeitas sobre a morte de João Paulo I apontaram sempre para o envolvimento do Vaticano com a P-2. Calvi apareceu morto em Londres, aparentemente suicidara-se. Em Março de 1997 concluiu-se que havia sido assassinado por mafiosos de cujo dinheiro havia tentado apropriar-se. Até que ponto chega a máfia nesta sinistra trama?!

CIA-Máfia-P2: a Santa Aliança

Em Julho de 1990 a magistratura italiana encontrou um dossier com o correspondente da RAI Enio Remondino, em que figuravam as declarações do ex-agente da CIA, Richard Brenneke. Neste dito dossier constavam provas sobre as ligações entre a CIA e a P-2. Segundo esse dossier, a CIA protegeu e financiou a P-2 do início dos anos 70 até meados dos ano 80; a CIA servia-se da rede de contactos da P-2 na Europa para controlar o tráfico de drogas e cometer atentados terroristas. Num trecho desse dossier falava-se do caso Irão-Contras, meses antes deste vir a público, dando veracidade a essa documentação. Acusava-se o então vice-presidente Bush de ter negociado com Khomeini o atraso na entrega da Embaixada Americana no Irão, em 1980, esperando pelas eleições americanas, que deram o triunfo a Reagan. Como contrapartida, a CIA entregaria, através de Gelli, armas ao país Islâmico. Porém, havia muito mais. Olof Palme, conhecedor de todos estes aspectos, foi assassinado pela máfia seguindo instruções da CIA, delegadas através da P-2. Poucos meses depois outro ex-agente da CIA, Ibrahim Razim, confirmou estes acontecimentos.

Razim afirmou que Gelli, no final de 1986, enviou um telegrama do Brasil a Philip Guarino, um alto dirigente do Partido Republicano dos E.U.A., anunciando a morte de Palme. O telegrama pedia a Cuarino, colaborador próximo de Bush, que comunicasse ao “nosso amigo” que “teria que calar a árvore sueca”. Três dias depois Palme foi assassinado por um desconhecido, quando voltava a pé e sem escolta, junto da sua esposa, de um cinema.

O juiz Francesco Monastero apurou que a CIA chegou a entregar à P-2 mais de 10 milhões de dólares mensais. O ex- agente da CIA, Dick Brenneke, declarou ao juiz: “servimo-nos da P-2 para criar situações favoráveis à explosão do terrorismo na Itália e em outros países europeus nos primórdios dos anos setenta” e que “a P-2 está ainda viva e continua a ser empregue para a mesma finalidade com que foi utilizada nos primórdios do anos setenta”. O tráfico financeiro entre a CIA e Gelli aconteceu através de uma sociedade do Luxemburgo, denominada “Amitalia Fund”, possuidora de uma conta secreta (número 27321) na União de Bancos da Suíça, de Zurique.

Maçonaria e corrupção

Quando a polícia italiana se inteirou da lista parcial de membros da P-2 surpreendeu-se com um nome que até esse momento havia estado dedicado só ao mundo das finanças e da comunicação: Silvio Berlusconi, membro número 1816 da P-2. Se antes da “operação mãos limpas”, que desmontou o antigo regime corrupto dos partidos, a P-2 contava entre as suas fileiras com os exponetes máximos daquela conjuntura, como Giulio Andreotti, inaugurou uma nova etapa, a P-2 pôde colocar um dos seus nomes mais activos, Silvio Berlusconi, no parlamento e, durante uns meses, na chefia do governo. A P-2 sempre procurou uma intervenção directa na política. De resto, a sua participação em distintos atentados terroristas e escândalos de corrupção não tinha outra finalidade que não fosse a de melhorar a situação dos seus homens no ranking político italiano. E melhorá-la queria dizer oferecer a possibilidade de realizar novos e melhores negócios. Berlusconi foi, nesse caso, um verdadeiro ás. Outros morreriam a tentar.

Em 14 de maio de 1995 foram detidos dois antigos funcionários da SID acusados de ter cometido perjúrio no caso do escritor assassinado Mimo Pecorelli. Pecorelli, director do semanário “Observatório Político” fora membro da P-2 e acabou assassinado em Roma, a 20 de março de 1979. Pecorelli estava a ser considerado como um chantagista político e o seu semanário estava a ser financiado pela SID. Segundo a procuradoria de Roma a sua morte foi ordenada por Giulio Andreotti, companheiro de Loja e várias vezes chefe de Governo e Ministro. O crime foi cometido por mafiosos recrutados por Pipo Caló, da máfia. Os detalhes desse crime foram contados aos magistrados pelo mafioso arrependido Tommasso Buscetta. Segundo Buscetta, a máfia, dirigida na época por Stefano Bontate, quis intervir na libertação de Aldo Moro, sequestrado pelas Brigadas Vermelhas. Caló, melhor relacionado com os círculos do poder que Bontate, fez ver a este que a Democracia Cristã, o partido de Aldo Moro, não o queria livre. Moro foi, literalmente, abandonado à sua sorte. Em 1980 os carabinieri encontraram em Milão um esconderijo das Brigadas Vermelhas e entregaram ao general Della Chiesa as memórias do político assassinado, escritas no cativeiro. Nessas memórias, Moro revelava aspectos dúbios da classe política. Della Chiesa entregou fotocópias destas memórias a Andreotti e ao periodista Pecorelli que os fez chegar ao seu Venerável Mestre, Licio Gelli. Meses depois, Pecorelli quis tornar-se independente dos seus mentores, a SID e a P-2, e pretendeu publicar estas memórias na sua revista, assim como documentos que comprometiam Andreotti com a máfia. Pouco depois apareceu assassinado. A máfia disparou, mas foi a P-2 que indicou a vítima. A P-2 foi omnipotente, mesmo no centro-esquerda (democratas cristãos, socialistas), detentor do poder em Itália.

A P2 na América Latina

Licio Gelli considerava o Cone Sul como uma área preferencial para realizar intervenções, lavar dinheiro e obter facilmente o controlo político. Gelli integrou Perón na P-2 pouco antes do seu regresso à Argentina. A incorporação realizou-se em Madrid, na residência habitual do general Perón no exílio. Há que recordar que, nesta época, Perón tinha as suas faculdades mentais muito abaladas por uma arteriosclerose progressiva. Gelli, juntamente com o líder peronista Héctor Campora, convenceu a cúpula militar, sobre a transição da ditadura ao peronismo. Este plano contou com o apoio do Grão Mestre da maçonaria argentina, César de Vega, recompensado logo a seguir com uma subsecretaria no Ministério do Bem-estar Social, o mesmo ministério que depois foi dirigido por Raúl López Rega, “o Bruxo”, ocultista e fundador da seita secreta “Ordem dos Cavaleiros de Fogo”, ainda assim membro da P-2.

Gelli recebeu por tudo isto a Grã Cruz do Libertador San Martín das mãos de Perón, a mais alta condecoração argentina. Anos depois Gelli navegava em águas turbulentas, estava de boas relações com os inimigos jurados do peronismo, a nova junta militar. Em 30 de maio de 1981 foi convidado para a posse do General Viola, sucessor do General Videla à frente do governo militar argentino. Gelli havia conseguido introduzir na P-2 o almirante Massera, membro da Junta, e o seu ajudante, almirante Mason. Assim foi Gelli, caso único de malabarismo político, mantendo boas relações na Argentina…

O papel histórico da maçonaria tem consistido em abrir o caminho para as democracias liberais, a partir da Revolução Americana. Porém, não era esta a tarefa para a que fora criada ; institucionalmente: promover o aperfeiçoamento do ser humano e a prática da filantropia. Durante dois séculos e meio a maçonaria tem oscilado entre praticar a sua vocação iniciática e esotérica ou converter-se em defensora e patrocinadora de determinadas ideias e influências políticas. Ainda hoje, todavia, a polémica não está resolvida. Nada assegura que não possam ocorrer novos casos como o da P-2. Nada assegura que o papel positivo da maçonaria na construção da Europa, não acabe por se traduzir em corrupção, tráfico de influências e informações privilegiada.

A única garantia de que isto não voltará a ocorrer é o de que a maçonaria se volte para os seus conteúdos originários : ser a grande herdeira e continuadora da Grande Tradição Iniciática.”

Sobre Antonio Soares da Rocha

Antonio Soares da Rocha
O autor tem uma experiência superior a 30 anos como funcionário da Autoridade Tributária, passando por todas as metamorfoses da carreira até ocupar funções de jurista e representante da Fazenda Pública. Em período precedente estivera ligado ao setor das telecomunicações, à mediação e direito dos seguros. Terminou a licenciatura em direito na Universidade Lusófona. Adquiriu a qualificação de Mestre em Direito na Universidade Católica com a defesa da tese na área do Direito Fiscal, e publicada pela editora daquela Universidade em Portugal e Brasil. Investigador da Universidade do Minho, tem defendido como congressista temas científicos em universidades de renome. É autor de algumas obras com edições continuadas, designadamente “Oposição vs Impugnação Judicial”, “O Essencial sobre o Arrendamento Urbano” e “Minutas e Formulários – Anotados e Comentados”. Em termos desportivos, é praticante de Karate Goju-Ryu e treinador reconhecido pelo IPDJ. Embora tenha iniciado essa prática com referência à linha do Mestre Taiji Kase, viria a ser consagrado cinto negro na vertente de Karate Shotokan pelo Mestre Hiroku Kanazawa em 1999, e posteriormente, pelo estilo que ora pratica, da linha Okinawa Goju-Ryu Karatedo Kyokai.

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