
V CONDTRANS – Universidade de Salamanca
No painel onde interviemos como MODERADOR, painel n.º 5, o programa incidiu sobre as seguintes temáticas:
– Reflexões sobre Direito Transnacional, Tecnologia e Direitos Humanos
A nossa participação no V Congresso de Direito Transnacional (V CONDTRANS), realizado nos dias 9 e 10 de julho de 2026, na Faculdade de Direito da Universidade de Salamanca, representa mais um capítulo de uma relação académica que começou anos antes, quando tive o privilégio de integrar o 1.º CONDTRANS, igualmente em Salamanca. Regressar a este espaço científico, agora como moderador do Painel n.º 5 – Direito Transnacional e Direitos Humanos, reforça a continuidade de um percurso dedicado ao estudo das interseções entre Direito, tecnologia e direitos fundamentais.
O congresso, organizado pela Universidad de Salamanca e pelo IBEROJUR, decorreu em modalidade híbrida, reunindo investigadores de Portugal, Espanha, Roménia e Brasil. A diversidade geográfica e temática foi uma marca distintiva desta edição, refletindo a natureza transnacional do Direito contemporâneo.
1. Estrutura do Painel n.º 5: Direito Transnacional e Direitos Humanos
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- Tecnologia e Justiça
- Sustentabilidade e Regulação Económica
- Direitos Humanos e Novas Fronteiras Tecnológicas
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De seguida apresentamos uma análise detalhada de cada intervenção, com especial atenção ao bloco temático da Roménia, que constituiu o núcleo mais denso e inovador do painel, centrado em Human Rights.
2. Trabalhos Apresentados
2.1. Inteligência Artificial e Independência Judicial
Gema Pérez Souto – Universidade do Minho (Portugal)
A comunicação analisou o Relatório do Grupo de Acompanhamento sobre Inteligência Artificial do Conselho Superior da Magistratura de Portugal, a 23 de fevereiro de 2026), destacando:
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- os impactos da automação judicial na independência dos magistrados;
- a necessidade de responsabilidade institucional na utilização de sistemas algorítmicos;
- a relevância da proteção de dados nos tribunais;
- os riscos da opacidade algorítmica e a ausência de auditorias técnicas.
Em síntese, este trabalho enquadrou o debate europeu sobre IA no setor da justiça, articulando‑o com o contexto português.
2.2. ESG e Sustentabilidade Corporativa: Evolução Normativa, Efetividade e Desafios
Carlos Felipe Marinho Lopes – Universidad de Salamanca (Espanha)
A intervenção abordou:
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- a evolução das normas europeias relativas a Environmental, Social and Governance (ESG);
- a crescente exigência de transparência e responsabilidade social das empresas;
- os desafios de efetividade das políticas ESG;
- a necessidade de harmonização entre práticas empresariais e exigências legais.
3. O Bloco Temático da Roménia: Human Rights
As comunicações provenientes da National University of Science and Technology Politehnica Bucharest (Roménia) constituíram o núcleo mais denso do painel, todas centradas em Direitos Humanos, com abordagens tecnológicas, corporativas e filosóficas.
3.1. Gestão do Transporte Sobredimensionado na União Europeia
Amelia‑Veronica Gheoculescu – Roménia
A comunicação analisou:
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- os desafios regulatórios do transporte de carga sobredimensionada;
- os regimes de licenças e autorizações entre Estados‑Membros;
- o impacto na infraestrutura e na segurança rodoviária;
- a necessidade de harmonização normativa para garantir direitos fundamentais de segurança e circulação.
3.2. Corporate Responsibility for Respecting Human Rights
Elisée Nicoleta Vălcu – Roménia
A intervenção abordou:
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- a crescente efervescência regulatória europeia em matéria de direitos humanos corporativos;
- a distância entre normas e realidades práticas das empresas;
- a necessidade de mecanismos de fiscalização mais robustos;
- a articulação entre responsabilidade empresarial e proteção dos direitos fundamentais.
Este trabalho reforçou a importância do Human Rights Due Diligence no espaço europeu.
3.3. Neurotechnology, Mental Privacy and the Future of Freedom of Thought
Florina Ramona Duminică – Roménia
Uma das comunicações mais inovadoras do painel, abordando:
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- o avanço das neurotecnologias e a sua capacidade de aceder a dados neuronais;
- o conceito emergente de mental privacy como direito fundamental;
- os riscos de violação da liberdade de pensamento, considerada “o último refúgio da liberdade humana”;
- a necessidade urgente de enquadramento jurídico europeu para tecnologias intrusivas.
Este trabalho foi central para o tema Human Rights, articulando tecnologia, ética e direitos fundamentais.
4. Trabalhos Brasil/Espanha
4.1. Artificial Intelligence, Electoral Integrity and the Algorithmic State
Matheus Queiroz Maciel – Universidade Federal da Bahia (Brasil)
A comunicação analisou:
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- o impacto da IA na integridade eleitoral;
- os riscos de manipulação algorítmica;
- a necessidade de um quadro global de governança democrática;
- a tensão entre inovação tecnológica e proteção das instituições democráticas.
4.2. Free Flow, Dados e Governança: Sistemas de Disputas na Cobrança Eletrónica
Diego El‑Jaick Rapozo & Henrique Rodrigues Alves Martins – Salamanca/Brasil
A intervenção abordou:
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- o fluxo de dados na cobrança eletrónica;
- a comparação entre modelos europeus e brasileiros;
- o desenho de sistemas de resolução de disputas em ambiente digital;
- a necessidade de governança robusta para garantir direitos dos contribuintes.
5. Considerações Finais
O Painel n.º 5 evidenciou a interligação entre tecnologia, direitos humanos, sustentabilidade corporativa e governança democrática, demonstrando a relevância crescente do Direito Transnacional na resposta aos desafios jurídicos contemporâneos.
A moderação permitiu assegurar coerência científica, fluidez linguística e integração entre diferentes perspetivas académicas, reforçando o papel das instituições de ensino superior na promoção de investigação colaborativa e internacionalizada.
O dia encerrou com o jantar de networking na Plaza Mayor de Salamanca, reforçando o espírito de cooperação académica que tem marcado o CONDTRANS desde a sua primeira edição.
António Soares da Rocha Direito | Justiça | Fiscalidade | Sociedade | Karate | LOJA (Minutas Gerais)